Funcionários da VW decidem manter produção

Funcionários da Volkswagen, das fábricas da via Anchieta, em São Bernardo do Campo, região do ABC, e da de Taubaté, optaram, nesta quarta-feira, após assembléia geral, pela não realização de greve. Contudo, os funcionários anunciaram o fim das horas extras e a possibilidade de uma mobilização nacional para evitar que os cortes sejam feitos.De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a decisão foi tomada após o anúncio da demissão de 5.773 trabalhadores nas fábricas da montadora no Brasil. Os cortes deverão ocorrer num prazo de dois anos. Com as demissões, a montadora alemã que hoje detém 22,3% de participação no mercado brasileiro de veículos vai enxugar seu quadro de funcionários, atualmente de 24 mil pessoas, em 25%. Só neste ano, 3.016 trabalhadores devem perder o emprego."O Sindicato considera estas demissões uma brutalidade ao trabalho dos funcionários da montadora. É um ataque brutal ao direito dos trabalhadores", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo.Um dos motivos alegados pela empresa para as demissões é a valorização do real frente ao dólar e ao euro, o que teria prejudicado as exportações do grupo, principalmente do modelo Fox, fabricando em São Bernardo do Campo exclusivamente para exportação.Demissões começam em novembroDe acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Francisco Duarte de Lima, que também é funcionário da montadora, a planta da Volkswagen de São Bernardo emprega 13.900 pessoas, entre funcionários ativos e inativos. Desse total, serão demitidos 3.600 nos próximos dois anos."A direção afirmou que cumprirá o contrato que garante estabilidade aos funcionários até o novembro, mas já avisou que o documento não será renovado", explicou. O sindicalista acredita que o quadro de funcionários começará a ser reduzido a partir desta data, apesar da montadora não ter especificado quando os cortes começariam. Taubaté, que possui 5.400 funcionários, deve sofrer um corte de 681 pessoas, ao passo que, em São José dos Pinhais, no Paraná, as demissões devem atingir 1.420 empregados. AmplitudeTambém ficou acertada a participação de representantes da Força Sindical em reuniões na Alemanha, no próximo dia 9, e no México, no próximo dia 26, para garantir uma mobilização mundial. "Serão demitidos 20 mil funcionários alemães. Não é algo que envolva somente o Brasil. Há uma repercussão mundial."

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