Douglas Gavras/Estadão
Douglas Gavras/Estadão

Funcionários dos Correios não entram em greve e aceitam mais 30 dias de negociação

Federação nacional protesta contra reajuste abaixo do esperado e alterações no plano de saúde; última reunião de negociação da categoria terminou sem acordo

Ana Luiza de Carvalho e Talita Nascimento, especial para O Estado

30 de julho de 2019 | 12h05
Atualizado 31 de julho de 2019 | 21h01

Os trabalhadores dos Correios aceitaram na noite desta quarta-feira, 31, a proposta do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de prorrogar a convenção coletiva da categoria por mais trinta dias e, nesse prazo, não promover paralisação. A decisão foi tomada, pois a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), rejeitou a proposta de reajuste salarial da empresa na última tentativa de negociação realizada nesta tarde em Brasília.

A nota divulgada pela Fentec diz que o "Comando Nacional conta com a mobilização dos trabalhadores nos próximos dias para pressionar por uma proposta que verdadeiramente atenda os anseios da categoria". 

Fischer Moreira, secretário de imprensa da Fentect, afirma que a categoria protesta contra o baixo “reajuste salarial e contra a retirada de direitos históricos da categoria”, como a exclusão de pais como dependentes no plano de saúde dos funcionários.  Outro ponto de alteração nos convênios será o aumento na coparticipação, que hoje está por volta de 30%. Confira algumas das alterações propostas pela empresa:

  • Exclusão do Vale Cultura;
  • Redução do adicional de férias de 70% para 33% ou ⅓;
  • Redução do adicional noturno de 60% para 20%;
  • Redução de 4 tickets fornecidos mensalmente;
  • Exclusão do Vale Extra (Ticket Peru);
  • Exclusão do Vale Refeição nas Férias (pagando apenas o Vale Cesta);
  • Exclusão do Ticket nos afastamentos;
  • Redução de 200% para 100% no trabalho em dia de repouso;
  • Aumentar o compartilhamento dos tickets, passando de 0,5% para 5, 10 e 15%, conforme NM e NS;
  • Aumentar 50% a mensalidade do Postal Saúde;
  • Aumentar a co-participação (de 30% para 40%) nos procedimentos médicos;
  • Alterar a cláusula de responsabilidade civil em acidentes de trânsito, acabando com a comissão paritária;
  • Índice de reajuste de 0,8% do INPC

Nesta terça-feira, 30, a categoria realizou a última audiência de negociação prevista no calendário, também sem acordo. A greve foi anunciada ao presidente dos Correios, Floriano Peixoto, na última segunda, 29. Apesar do indicativo de paralisação, os trabalhadores não descartam novas negociações. “Ainda que tenha uma data marcada para greve, o comando continua a disposição de negociar. Entendemos o momento da empresa, mas é necessário também ver o lado do trabalhador”, afirma Moreira.

Os Correios estão em meio a uma possibilidade de privatização, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro. Os planos do governo, por enquanto, são de investir esforços na reforma da Previdência, enquanto as privatizações ficariam para um segundo momento. Fischer Moreira alega que a base aliada do governo no Congresso Nacional, como a deputada Joice Hasselman (PSL-SP), divulga informações sobre a empresa que ‘faltam com a verdade’.

“Não necessariamente a privatização vai trazer preços mais acessíveis, inclusive para regiões periféricas, e a precarização de serviços vai ser ampliada. A gente sabe que existe esse fantasma da privatização e combate essa perspectiva”, diz. Os Correios afirmaram que “continuam em negociação com representações dos empregados”, com mediação do TST, e que “não é oportuno tratar de greve neste momento”.

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