Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Funcionários dos Correios podem fazer paralisação no próximo dia 30, dizem sindicatos

Eles reivindicam melhores condições no plano de saúde que é oferecido pela estatal; movimentação em prol da greve começou em novembro passado, após liminar assinada por Toffoli

Maiara Santiago, Especial para o Estado

14 de janeiro de 2020 | 17h43

Os funcionários dos Correios estão preparando uma paralisação para o próximo dia 30, conforme informado por sindicatos ligados a estatal. O motivo são os novos valores do plano de saúde, que a partir de fevereiro, já passam a ficar mais caros para os trabalhadores.

Segundo Marcos Alves, vice-presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, ADCAP, a ideia é que os sindicatos e organizações se reúnam ainda nas próximas semanas para decidir. "Há ações na justiça, inclusive no próprio STF, que pedem pela revisão dessa liminar aprovada pelo presidente do Supremo".

Ele também acrescenta que "até o momento, ainda não há um retorno se as ações irão ser avaliadas em curto prazo ou não. Se isso não acontecer, é natural que os trabalhadores partam para a greve".

Alves também conta que, nesse meio tempo, os funcionários da empresa têm sido "assediados diariamente com notas e boletins, que dão um prazo limite para que eles aceitem as novas condições". Segundo ele, a ação visa fazer com que os empregados da estatal "abram mão do benefício", uma vez que "existem opções particulares no mercado, muito mais baratas do que o preço que está sendo cobrado pela empresa".

 A liminar em questão foi aprovada por Dias Toffoli em novembro de 2019, e derrubou um acordo feito na Seção de Dissídios do Tribunal Superior do Trabalho, TST naquele ano. Na ocasião, ficou definido que a estatal arcaria com 70% das despesas com plano de saúde, enquanto que o funcionário precisaria pagar um restante de 30%.

O acordo do TST, que na época foi feito para dar fim a uma greve iniciada em setembro, tinha como intuito derrubar uma outra decisão dos Correios de 2018, na qual os funcionários começariam a arcar com metade dos custos do plano de saúde, deixando na proporção de 50% para o usuário do benefício e 50% para a empresa. 

Com a decisão, as internações em caso de doença também deixariam de ser pagas pela estatal. No entanto, com a liminar aprovada por Toffoli, a antiga cobrança de 50% volta a valer agora em 2020, para todos os funcionários da empresa que forem beneficiados pelo plano de saúde. 

Em nota divulgada no site, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Fentect, disse que que irá fazer reuniões com os sindicatos já na próxima quarta-feira, 15, e também na quinta, 16, para decidir como irão seguir com a questão.

No mesmo comunicado, a Fentec ainda aconselha os funcionários das agências dos Correios "a não assinarem nada e muito menos a sair do plano de saúde". O sindicato também disse que se as decisões do STF forem mantidas, a categoria "aponta uma paralisação para o dia 30/01/2020, caso a direção da empresa insista em manter este ataque".

"O plano de saúde é um aspecto vital para os funcionários dos Correios, pois muitos dos trabalhadores não conseguem arcar com esse gasto de forma particular", disse Alves. Nesse caso, como a cobrança passaria a se iniciar já entre o final deste mês e o começo de fevereiro, "há um grande desespero dos servidores", para que isso se resolva antes, acrescentou o porta-voz.

O anúncio de uma possível greve vem em um momento de grande indefinição para a empresa, que tem visto nos últimos meses um grande aceno da equipe do governo em prol da privatização. Na terça-feira passada, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que se pudesse, "privatizaria os Correios hoje", mas que não o faria, pois não podia "prejudicar os servidores".

No entanto, segundo Alves, não há uma ligação direta entre a situação dos planos de saúde com uma possível privatização dos Correios. Para o porta-voz, a decisão faz parte de um "crescente movimento em prol de melhorias nos resultados anuais da empresa", e acompanha o atual cenário de corte nos planos de saúde de boa parte das estatais.

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