Funcionários esvaziam guichês da BRA em Cumbica

Empresa suspendeu suas operações na terça, parando de vender bilhetes, e demitindo 1.100 funcionários

Carina Flosi e Marcos Burghi, do JT,

07 de novembro de 2007 | 12h36

Os guichês e lojas da BRA nos aeroportos de São Paulo foram sendo aos poucos esvaziados na manhã desta quarta-feira, 7, depois que a empresa anunciou a suspensão de suas operações, na terça.  Veja também:TAM e Gol atendem passageiros da BRA em CumbicaAnac e Procon dão informações divergentes a passageiros da BRAQuebra fortalece domínio da TAM e da Gol Conheça os direitos do consumidorInvestidores perdem R$ 180 milhões No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, as operações da companhia aérea se encerrariam oficialmente ao meio-dia. Desde o começo da manhã, porém, os funcionários já esvaziavam os guichês, carregando os computadores em cadeiras de rodas e limpando os balcões. Em Congonhas, o gerente da loja da BRA conversou com os 12 funcionários nesta manhã. Depois disso, eles foram orientados a permanecer no local, para orientar os passageiros da aérea.  O Sindicato dos Aeroviários de São Paulo, filiado a Força Sindical, informou nesta quarta, por meio de nota, que "tomará as providências cabíveis para garantir o pagamento integral dos 750 aeroviários que serão prejudicados com o fechamento da BRA". "Vamos procurar a direção da empresa e se não houver acordo para o pagamento dos funcionários entraremos com ação na Justiça", disse Reginaldo Alves de Souza, presidente do Sindicato. Na última terça-feira, a BRA suspendeu suas operações parando de vender bilhetes, tirando o site do ar e dando aviso prévio para seus 1.100 funcionários. Nos guichês da companhia em Cumbica, não havia na manhã desta quarta-feira nenhum funcionário para atender os passageiros. Apesar de ter recebido um aporte de R$ 180 milhões de um grupo de investidores em dezembro do ano passado, a companhia acumula mais de US$ 100 milhões em dívidas com bancos e empresas de leasing, revelam fontes do mercado. A empresa, que em seu auge chegou a transportar 180 mil passageiros por mês, tinha 70 mil passagens vendidas até março de 2008. Crise Em nota divulgada na terça, a BRA afirmou que a suspensão é 'temporária', mas não tem previsão de quando voltaria. Na nota, a empresa disse ainda estar 'em processo de negociação para a obtenção dos recursos financeiros necessários para a continuação das operações'. A empresa tem 180 dias para voltar a operar, sob pena de perder a concessão. Segundo analistas, é praticamente impossível uma companhia aérea voltar a operar depois de uma parada. 'Não existe esse negócio de companhia aérea parar. Transbrasil e Vasp prometeram voltar, mas não saíram do chão', afirma o consultor Paulo Bittencourt Sampaio. 'É como um paciente que pára de respirar. Acabou.' A companhia detinha 4,6% de participação no mercado doméstico em setembro. Fazia uma média de 35 vôos domésticos durante a semana e 50 vôos nos finais de semana. Os destinos internacionais (Lisboa, Madri e Roma) já haviam sido interrompidos na semana passada. A crise financeira da BRA veio à tona com o fim do acordo de compartilhamento de assentos (code share) com a OceanAir. A parceria começou a valer no dia 18 de junho, mas foi desfeita três meses depois. Segundo pessoas próximas à aliança, o rompimento foi determinado por dívidas da BRA com a OceanAir e pelas diferenças de estratégias. Segundo fontes da OceanAir, a dívida da BRA apenas com a própria OceanAir é de R$ 400 mil. A BRA chegou a ter 11 aeronaves, mas estava operando com apenas seis por falta de recursos para pagar aluguéis. Diante da redução da frota, a empresa solicitou uma redução de sua malha de vôos. Criada em 1999 pelos irmãos Humberto e Walter Folegatti, empresários do ramo de turismo, a empresa nasceu de uma parceria com uma empresa de turismo do grupo Varig. A parceria foi parar na Justiça sob acusação de favorecimento de alguns executivos ligados à Fundação Ruben Berta, ex-controladora da Varig.

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