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Fundação Nobel pode buscar doações

Fundos hedge não estão dando conta de elevar capital da instituição que já reduziu os prêmios

NIKLAS MAGNUSSON E VERONICA EK - BLOOMBERG NEWS ,

19 de outubro de 2013 | 02h07

ESTOCOLMO - A Fundação Nobel, que em 2012 usou fundos hedge para aumentar seu capital, estuda a possibilidade de conseguir doações de instituições beneficentes porque as estratégias anteriores não permitiram arrecadar recursos suficientes.

A fundação sediada em Estocolmo, que no início do mês reduziu seus prêmios para 2013, no ano passado cortou 20% do valor em dinheiro para preservar seu capital. Desde então, os laureados tiveram de se contentar com 8 milhões de coroas (US$ 1,23 milhão) em cada categoria.

Lars Heikensten, diretor executivo da Fundação Nobel, pretende elevar novamente a quantia a fim de restaurar o prestígio do prêmio.

"Para satisfazer o nosso desejo, como eu gostaria de poder fazer, iríamos esbarrar num problema de longo prazo", disse Heikensten. "Será difícil economizar mais e também será difícil manter os custos no atual patamar. Isto indica que haverá a necessidade de mais recursos."

A Fundação Nobel, criada em 1900 a pedido do industrial sueco Alfred Nobel para premiar pessoas que se destacassem nas áreas de física, química, medicina, na luta pela paz e na literatura, decidiu reduzir os custos pois há dez anos seus gastos ultrapassam a receita.

Os limitados retornos auferidos neste período foram ainda mais afetados pelo início da crise financeira global. Considerando as circunstâncias, a fundação afirma que não teve outra escolha, pela primeira vez desde 1949, senão baixar o prêmio.

Confiando em fundos hedge, e não mais em índices de ações standard, no ano passado, teria resultado em prejuízos relativos. O HFRX Global Hedge Fund subiu 5,4% nos últimos 12 meses, ante aumento de 17,6% do MSCI World de ações em igual período.

A fundação "evidentemente continuará procurando melhorar a gestão dos seus ativos, mas não tenho a certeza de que isto bastará", disse Heikensten. O retorno de 7,9% sobre o capital investido em 2012 foi "um pouco melhor do que os nossos padrões de referência".

A fundação compara seus retornos a parâmetros que incluem fundos de pensão e gestoras de outros ativos, bem como a uma carteira normal, em que as ações representam 55% do total, e investimentos alternativos e instrumentos de renda fixa constituem 25% e 20%.

Embora tenha intensificado a dependência dos fundos hedge, as ações seguem constituindo a maior parte. No fim de 2012 a fundação tinha 3,1 bilhão de coroas em investimentos. Do total, 51% estavam investidos em ações, em comparação com 47% no final de 2011, enquanto 16% eram representados por títulos de renda fixa, ante 20% no ano anterior. A fundação investiu 33% em ativos alternativos, o mesmo que no ano anterior.

Do total do capital da Fundação Nobel, 94% baseia-se na contribuição original feita por Alfred Nobel.

As medidas adotadas para conter os custos implicam também a redução dos gastos com o banquete da cerimônia da entrega dos prêmios, que ocorre anualmente no dia 10 de dezembro, no aniversário da morte de Nobel. (Entre os cerca de 1.300 convidados está a família real sueca). A fundação pretende chegar a uma redução de 20% dos custos até o fim do ano, disse Heikensten.

Embora não tenha "nenhum plano", por enquanto, de buscar capital por meio de doações, terá de explorar a opção "nos próximos anos", segundo Heikensten. Isso implicaria ampla campanha mundial para atrair doadores, organizações ou investidores. Qualquer que seja a medida, ela terá de preservar a integridade e a independência do Prêmio Nobel, disse.

Entre as outras opções está ganhar dinheiro com a marca Nobel, como a abertura de outros museus fora da Suécia e da Noruega. A fundação está construindo um Centro Nobel na Ilha de Blasieholmen em Estocolmo. O centro, cuja inauguração está prevista para 2018, está sendo financiado, principalmente, por meio de doações da Fundação Família Ehrling-Persson e pela Fundação Knut e Alice Wallenberg. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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