Fundação Rubem Berta pode herdar dívidas da Varig

Representantes da Varig se reuniram nesta quinta-feira com credores da companhia aérea, no prédio da empresa, no Rio de Janeiro. O encontro teve como objetivo esclarecer aos credores as modificações no plano de recuperação judicial da companhia, para que se possa adequar à oferta de US$ 500 milhões feita pela VarigLog.Ao deixar o prédio, o advogado da VarigLog Leonardo Viveiro ressaltou que as reuniões prosseguem sexta, quando serão discutidos com os credores item por item das mudanças propostas. "O prazo é curto. Por isso é necessário realizar essas reuniões", disse o advogado. Segundo ele, o encontro visa também facilitar e acelerar a análise da proposta da VarigLog na assembléia de credores marcada para a próxima segunda-feira.O novo modelo de venda da Varig, que é elaborado pela direção da companhia, prevê que a Fundação Rubem Berta (FRB) terá 87% das ações da chamada Varig Antiga, a mesma fatia que detém da empresa atual. A Varig Antiga será desmembrada da operação principal para herdar o passivo de R$ 7,9 bilhões da Varig. A informação foi dada nesta quinta-feira pelo presidente da companhia, Marcelo Bottini.Pelo modelo anterior, a fundação teria sua participação de 87% reduzida para 5%, por meio de um fundo de investimento que seria criado para que credores pudessem converter suas dívidas em participação acionária. No entanto, como o modelo passa por modificações, Bottini disse que esse fundo, que vinha sendo controlado como FIP Controle, não existirá mais.Quando questionado se a possibilidade da FRB manter o controle acionário da Varig antiga poderia causar preocupação entre os credores, Bottini deu uma resposta negativa. "Esse sistema está sendo criado com os credores e vai permitir tranqüilidade a eles", disse.Mudanças significativasDo outro lado, durante pausa na reunião, o advogado da Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) Otávio Neves disse que a proposta da VarigLog inclui mudanças significativas no plano de recuperação judicial da Varig. Segundo ele, na reunião desta quinta foi feita apenas uma exposição e sexta começarão reuniões individuais com os credores da companhia. "As modificações são complexas e mudam toda a concepção do plano original consolidado até agora", explicou.Novas garantiasBottini apresentou aos credores novas garantias para a amortização dos débitos da empresa. Segundo o executivo, uma delas serão os R$ 4,5 bilhões que a Varig tem a receber da União por ações judiciais, que cobram perdas decorrentes do congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90.Outra possibilidade será o R$ 1,3 bilhão que a companhia tem a receber de diversos estados brasileiros por causa da cobrança indevida de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Além dessas, também são oferecidos todos os ativos imobiliários da Varig, que valem cerca de R$ 130 milhões. OceanAirAs declarações sobre o futuro da companhia aérea foram feitas no mesmo dia em que o presidente da OceanAir, Carlos Ebner, afirmou que analisará o edital do leilão da Varig, que será feito no próximo dia 19. Ele ainda não sabe, porém, se a companhia efetivamente participará das negociações por conta da preocupação sobre o risco de sucessão de dívidas trabalhistas e fiscais para o arrematador.O executivo disse verá se foi feita alguma blindagem contra a possibilidade de um eventual comprador da aérea herdar o passivo de R$ 7,9 bilhões. Quando perguntado se a OceanAir ainda mantém interesse em adquirir a companhia, ele respondeu que "nós vamos sempre avaliar".No primeiro leilão da Varig, realizado dia 8 de junho, a OceanAir chegou a se pré-qualificar para a disputa. No entanto, não fez nenhum lance.Até o momento, a única proposta de compra é da VarigLog, no valor de US$ 500 milhões. A Justiça do Rio de Janeiro, o Ministério Público e a Consultoria Delloite, responsável pelo plano de recuperação judicial da empresa, já deram o aval. Agora, resta aos credores avaliarem a proposta no dia 17, durante assembléia.

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