Fundações perdem menos do que a Bolsa

Algumas fundações conseguiram no primeiro semestre amenizar as fortes perdas registradas nos investimentos de renda variável. Segundo ranking elaborado pela Mercer Investment Consulting, os fundos de pensão tiveram nessa categoria uma perda média de 7, 27%, ante desvalorização de 18,5% da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no mesmo período. A pesquisa foi feita em 70 fundações. De acordo com Lauro Araújo, líder da Mercer e responsável pelo estudo, a explicação está na flexibilidade da gestão: "Mesmo com o Ibovespa como parâmetro, alguns bancos administram as carteiras das fundações de maneira a se aproximar do IBX." Esse índice, com as 100 ações mais negociadas no pregão paulista, recuou em média 1,81% no semestre - nível bem inferior ao mergulho da Bovespa, também a preços médios. Araújo explicou que muitas instituições têm liberdade total para alterarem os portifólios de ações. "Temos um cliente que dá ao banco o poder de alocar a totalidade dos recursos em uma ou duas ações, se quiser." As diferentes políticas de gestão causaram, no entanto, surpresas desagradáveis. "Descobrimos que muitos gestores não faziam a marcação a mercado dos títulos em carteira", comentou o especialista, referindo-se à determinação do governo para que os fundos ajustem o preço dos papéis investidos de acordo com o valor praticado no mercado, e não pela remuneração implícita. O resultado do descompasso é mais agudo no segundo trimestre. Pelo ranking da Mercer, somente quatro fundações, ou 5,7% da amostra, conseguiram superar o rendimento do CDI - principal referencial desse mercado - e da Selic (taxa básica de juros) no intervalo. O ganho médio dos fundos de pensão com a renda fixa ficou em 3,31% de abril a junho, ante evolução de 4,26% do CDI e de 4,29% da Selic. Na avaliação de Araújo, 2002 pode significar o segundo ano consecutivo em que metas atuárias não são atingidas. "Chegou a hora de ser mais criativo e mostrar novos produtos e serviços para os clientes."

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