Fundador da Autonomy nega fraude nos números da empresa

Mike Lynch diz que acusação da HP não tem fundamento e que regras do setor dão margem a diferentes interpretações

ANJULI DAVIES, REUTERS / LONDRES, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h10

Mike Lynch, gênio matemático e ex-chefe da Autonomy, disse que não consegue ver como as acusações de contabilidade desonesta levantadas pela Hewlett-Packard resultaram em uma baixa contábil de US$ 5 bilhões no negócio de software que ele vendeu no ano passado.

A HP disse na terça-feira que iria ter uma baixa de US$ 8,8 bilhões sobre sua compra de US$ 11,1 bilhões da empresa britânica, sendo US$ 5 bilhões em razão de "impropriedades contábeis graves" e "um esforço deliberado pela Autonomy de enganar acionistas", reveladas por uma denúncia e uma auditoria forense de contadores da PricewaterhouseCoopers.

O caso alertou reguladores de ambos os lados do Atlântico.

Mike Lynch afirmou que já contratou um advogado e ainda não falou com a HP ou qualquer um dos investigadores, mas disse que se sentou com os antigos contadores da companhia em uma tentativa de responder às acusações da HP.

Ao passo que nega as acusações, Lynch disse que há três áreas onde as regras de contabilidade deram margem para diferentes interpretações.

Responsáveis pelas leis contábeis trabalham há uma década em planos para regras contábeis globais a fim de que reguladores e investidores possam comparar as contas das companhias. Mas, até que essa tarefa esteja completa, há padrões concorrenciais que podem produzir resultados diferentes para empresas que em geral fazem a mesma coisa.

A base para o padrão contábil da Autonomy, anterior à aquisição pela HP, foi o International Financial Reporting Standards (IFRS), usado em mais de cem países. Mas muitas companhias dos EUA como a HP usam o U.S. Generally Accepted Accounting Principles (GAAP), que pode se diferenciar do IFRS no reconhecimento da receita de software.

Uma das acusações da HP é de que a Autonomy reservou antecipadamente receitas de licenciamento antes de negócios serem fechados, inflando a receita.

"O reconhecimento de receitas para fornecedores de software pode ser complicado, para dizer o mínimo", disseram contadores da Grant Thornton. Isso acontece porque as companhias de software frequentemente unem produtos e serviços num único contrato.

Lynch acredita que a HP possa ainda não ter um modelo contábil que reconheça o adiantamento de receitas, o que pode resultar em uma reapresentação das receitas da Autonomy.

"Todos esses acordos aconteceram por meio da própria Deloitte (auditoria)", disse Lynch. "A Deloitte aplica o teste independentemente, e é um teste padrão, e está explicitado no relatório anual e nos números."

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