Fundador da Daewoo se entrega à Justiça da Coréia do Sul

Kim Woo-choong, fundador do extinto gigante empresarial Daewoo regressou nesta terça-feira à Coréia do Sul para entregar-se à Justiça deste país, após permanecer cerca de seis anos refugiado no exterior para escapar de uma ordem de prisão e captura contra ele. Kim, de 69 anos de idade, foi detido logo após desembarcar na madrugada de hoje no aeroporto de Inchon-Seul, procedente do Vietnã, e foi levado imediatamente à Procuradoria Geral para ser interrogado pelas três acusações que pesam sobre ele. O empresário é acusado de uma fraude contábil avaliada em 41 trilhões de wons (cerca de U$S 40 bilhões), sobre a qual pediu um empréstimo ilegal de 9 trilhões de wons (por volta de U$S 8,8 bilhões), e pela evasão de divisas ao exterior no valor de 25 trilhões de wons (aproximadamente U$S 24 bilhões). O conglomerado industrial Daewoo, que chegou a ser o segundo mais importante do país, foi segmentado devido a essas gestões ilegais, praticadas durante a crise financeira que assolou a Coréia do Sul no fim de 1997. Em mensagem divulgada nesta terça-feira, o empresário, que pisou hoje pela primeira vez em solo sul-coreano desde sua fuga à China para escapar da justiça da Coréia do Sul, em outubro de 1999, pediu perdão e manifestou sua intenção de assumir toda a responsabilidade por suas ações no passado. A chegada de Kim abriu forte debate nacional entre seus admiradores, que destacam a contribuição do empresário ao desenvolvimento econômico do país, e seus críticos e as vítimas da quebra do grupo Daewoo. Além de processo penal, Kim terá de enfrentar aproximadamente 20 processos civis apresentados principalmente por instituições bancáriasSul-coreanas. Além disso, a Procuradoria Geral sul-coreana precisa esclarecer o rumor criado em torno de uma lista de políticos que o empresário teria subornado para evitar a liquidação do grupo. Kim fundou a Daewoo em 1967, com um capital de 5 mil dólares. Em 30 anos, o grupo se transformou num dos principais conglomerados sul-coreanos, com negócios em setores como estaleiros, manufaturas, eletrodomésticos e automóveis. Segundo a imprensa, Kim acredita que pode receber um indulto especial do governo, o queexplicaria sua entrega à Justiça sul-coreana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.