Fabio Motta/Estadão
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Fundador da Osklen estreia na hotelaria no Rio de Janeiro

Oskar Metsavaht se une a Carlos Werneck para abrir em janeiro, no Rio, o Janeiro, hotel de luxo num dos pontos mais nobres do Leblon

Valéria França, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2017 | 05h00

Fundador e diretor criativo da grife Osklen, o empresário gaúcho Oskar Metsavaht, de 57 anos, vai estrear em um ramo totalmente diferente da moda e das artes: a hotelaria de luxo. Tudo começou há um ano, quando ele se associou a um parceiro com três décadas de experiência de mercado hoteleiro, o carioca Carlos Werneck, de 52 anos. 

Em janeiro do ano que vem, os dois abrem o Hotel Janeiro, localizado em frente ao arquipélago das Ilhas Cagarras e com vista para o famoso e poético Morro Dois Irmãos, no Leblon, no Rio. Trata-se do trecho mais valorizado do País, onde o metro quadrado chega a custar R$ 40 mil.

Além de estar em um ponto que é cartão postal do Rio, o Janeiro ocupa o prédio do icônico Marina All Suítes, mais conhecido pelos cariocas como Marininha. “Em 2013, o Grupo Marina vendeu para o BHG o Hotel Marina, muito conhecido pelo badalado Bar D’Hotel”, conta Werneck. “Nessa reestruturação, eu fiquei com o Marininha e passei a administrá-lo no ano seguinte.” 

Werneck sentia falta de hotéis de luxo na zona sul com “um jeitão mais carioca”, ou seja, menos formal que os concorrentes mais disputados na cidade, os paulistanos Fasano e Emiliano, localizados em Ipanema e Copacabana, respectivamente. “Metsavaht tem o ‘mood’ do Rio”, explica Werneck. Amigos de muitos anos, os dois resolveram unir forças. Em janeiro de 2017, o Marininha fechou para reforma. Metsavaht entrou na sociedade como investidor. Werneck segue no papel de presidente executivo. 

Moda. O hotel nasce completamente com o conceito de moda. Metsavaht fez um trabalho muito parecido com o desenvolvido na Osklen, grife com reconhecimento internacional, que une praticidade, conforto, descontração, elementos naturais, arte, fotografia e muito refinamento. Fora do Brasil, é comum hotéis de luxo terem suítes assinadas por grandes grifes. O St. Regis, em Nova York, por exemplo, tem quartos Dior, Tiffany e Bentley. No Janeiro, não é exagero dizer que todo o conceito estético tem o DNA Metsavaht. Ele desenhou os uniformes, as roupas de cama, mesa e banho encomendadas da Trousseau. 

Nas paredes, os hóspedes poderão ver algumas das fotos do livro Cristo Redentor, Divina Geometria de Metsavaht, lançado no ano passado, que rendeu exposição com esculturas dele sobre o tema. “Foi cogitado até que o nome do hotel fosse Janeiro by Osklen”, conta Gustavo Hamam, diretor de desenvolvimento da Hamam – empresa responsável pela implantação do hotel, que tem no currículo o Fasano, do Rio, e o Tangará, de São Paulo, entre outros. Especula-se que a ideia não foi avante porque a Alpargatas tem 60% da Osklen – resultado de uma negociação de R$ 530,3 milhões concluída em 2014. 

“A dificuldade desse projeto está justamente nos detalhes, na necessidade de um acabamento perfeito”, diz Leonardo Hamam, presidente executivo da Hamam. Entre os fornecedores estão empresas como a Etel Design, que se autointitula alta-costura da marcenaria. 

“Além disso foram encomendadas várias peças de outros designers famosos”, diz Gustavo Hamam. Por exemplo, a lista de compras tem 53 cadeiras assinadas por Paulo Alpes, que ganhou o prêmio de 2015 do Museu da Casa Brasileira; 15 sofás de Fernanda Brunoro, presença assídua em mostras internacionais; e peças de Claudia Moreira Salles. 

Transformar o Marina All Suítes em Janeiro custou cerca de R$ 14 milhões. As diárias vão de R$ 1 mil a R$ 2 mil. 

“Há muitos elementos naturais, caso da palha feita por Nani Chinelatto, que aparece em painéis, na circulação dos andares e até na forração das mesas”, diz a carioca Lia Siqueira, arquiteta escolhida para transformar o prédio em um hotel de balneário. 

Crise. Em plena crise econômica e política do Rio de Janeiro – com três ex-governadores presos na cadeia pública de Benfica – , pode parecer muito arriscado investir em um negócio dessa extensão. “Acho que agora o Rio vai para frente”, diz Carlos Werneck, presidente executivo do novo empreendimento. “A certeza de bom negócio vem também da queda dos juros”, afirma o empresário.

Gustavo Hamam, diretor de desenvolvimento da Hamam, explica que nos últimos anos o investimento na rede hoteleira foi na Barra da Tijuca e próximo aos parques olímpicos. “A zona sul ficou de escanteio”, lembra. 

Werneck acredita que em cinco anos deve ganhar mais “do que se tivéssemos colocado esse dinheiro em aplicações”. Para ele, é a hora de investir no Rio de Janeiro.

Zona Sul. A zona sul do Rio de Janeiro vem atraindo a hotelaria de luxo. E como não há mais espaços para novas construções, a saída encontrada pelo mercado é transformar antigos hotéis em novos negócios. No Leblon, o Marina Palace com 150 apartamentos deve virar Four Seasons e reabre as portas em três anos. 

Já na Avenida Atlântica, o Sofitel – com 400 quartos – começou a ser reformado para receber o Fairmont Copacabana, rede canadense que tem no grupo hotéis cinco estrelas como o Plaza de Nova York e o Savoy de Londres. Será o primeiro da marca na América do Sul. Em 2015, a AccorHotels comprou a bandeira de luxo e decidiu trazê-lo para o Brasil. O negócio está orçado em R$ 250 milhões.

Só este ano, na mesma avenida, os cariocas também viram o Windsor, ex-Le Méridien, ganhar logotipo do Hilton. O Copacabana Palace que já reinou sozinho nessa praia, revitalizou o restaurante e o cardápio do Pérgula. A majestosa piscina, construída em 1934, ainda está em reforma para receber uma borda infinita e uma iluminação especial. As obras foram orçadas em R$ 10 milhões.

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