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Fundador da Wise Up recompra rede de idiomas

Flávio Augusto da Silva adquiriu de volta por R$ 398 mil a rede de ensino de idiomas, prometendo expandir o negócio

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 02h03

Dois anos depois de vender a rede ensino de idiomas Wise Up para a Abril Educação por R$ 877 milhões, o empresário Flávio Augusto da Silva recomprou a empresa por R$ 398 milhões. Hoje, ele também é dono do clube de futebol Orlando City, nos Estados Unidos, do site Geração de Valor, que produz conteúdo sobre gestão de carreiras, e da plataforma de ensino a distância MeuSucesso.com. Com o dinheiro que embolsou em 2013, Silva também passou a investir em startups de tecnologia.

O carioca de 43 anos mora em Portugal com a família e vai tocar o negócio de ensino de idiomas à distância, reassumindo a presidência do grupo que fundou. "Vou fazer a Wise Up ser maior do que era quando vendi", disse ao Estado, ontem à noite, por telefone, enquanto participava de uma festa para comemorar a aquisição.

Retomar a expansão da rede de ensino de idiomas, no entanto, não será uma tarefa trivial. A Wise Up que Flávio Augusto passa a comandar agora é bem diferente da que ele entregou à família Civita em 2013, com 76 mil alunos e 338 escolas espalhadas por 93 cidades brasileiras.

Logo depois da aquisição, a Abril Educação identificou unidades pouco rentáveis e teve de enfrentar uma forte evasão de alunos e rotatividade de professores. Os executivos tentaram mudar a estratégia e o público alvo da rede e acabaram optando por fechar uma série de unidades. Hoje, a rede, que também trabalha com a bandeira You Move, tem 272 escolas. "É uma nova companhia, com outra performance", disse. "Paguei menos porque estou comprando em um novo Brasil."

No início do ano, a Abril Educação foi comprada da família Civita pela gestora de investimentos Tarpon e, em junho, mudou de nome para Somos Educação. Sob o comando da Tarpon, a rede de franquias fundada por Silva passou por uma nova etapa de reestruturação. Segundo fontes de mercado, a rede de idiomas era considerada um "mico" para os novos donos, que vinham trabalhando para melhorar os resultados da companhia.

Prejuízo. No último trimestre, a Somos Educação teve um prejuízo de R$ 29,2 milhões. Nesse período, a Wise Up registrou uma redução de 8% no número total de alunos, na comparação com o mesmo período do ano passado, para 66 mil estudantes. Houve também queda de 23% no número de franquias. Os executivos da empresa não deram entrevista para explicar as motivações da venda.

Silva também não quis falar dos fatores que levaram a Tarpon, nova dona Abril Educação, a se desinteressar pela rede, que, segundo ele, ainda tem um grande potencial de crescimento no País. "Não posso falar sobre a gestão deles", afirmou. "Só sei que não foram os novos controladores da Somos Educação que compraram a empresa de mim. E desde que deixei o negócio, a Wise Up já teve três presidentes."

Segundo Silva, a recompra está sendo negociada há cerca de dois meses, desde que os executivos da Somos Educação o chamaram para uma reunião em São Paulo e fizeram a proposta. "Eles me procuraram porque tenho duas décadas de experiência nesse setor e conheço muito a empresa."

Planos. Depois das férias coletivas que terminam no dia 4 de janeiro, Flávio Augusto Silva disse que montará um plano para fortalecer a rede de ensino, retomando a política de vendas e o marketing agressivos. "Quando isso estiver concluído, vamos começar a expansão."

Ele pretende vir ao Brasil uma vez por mês e passar quatro dias por aqui, fazendo reuniões. O restante do tempo ele vai revezar entre Portugal e Estados Unidos, onde é dono do Orlando City. Fundado em 2010, o time foi comprado pelo brasileiro em 2013 por US$ 110 milhões. Neste ano, pela primeira vez, ele participou do Major League Soccer (MSL), divisão que equivale à Série A do Campeonato Brasileiro. 

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