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Fundador do Pactual perto de comprar o Dresdner no Brasil

Negócio significaria a volta de Luiz Cezar Fernandes ao mercado financeiro, dez anos após perder o Pactual

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

Luiz Cezar Fernandes está se preparando para voltar ao mercado financeiro. Afastado do mundo das finanças há uma década - desde que perdeu o banco Pactual para seus quatro sócios -, Fernandes está finalizando a compra da operação brasileira do Dresdner Bank. "A operação já foi autorizada pelo conselho do banco em Frankfurt e devemos assinar até terça-feira", disse Fernandes, por telefone, de uma pousada a beira-mar em Trancoso, onde passou o carnaval.O Commerzbank, que adquiriu recentemente as operações globais do Dresdner, confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa em Nova York, que está avaliando as atividades brasileiras do Dresdner, como parte de uma avaliação geral dos negócios do banco em todo o mundo. "Entretanto, não há nada para anunciar ou comentar sobre isso neste momento", afirmou uma porta-voz do banco por e-mail.A aquisição inclui o banco de investimentos e uma distribuidora do Dresdner e está avaliado em US$ 90 milhões a US$ 110 milhões. Segundo fontes, a compra deveria ter sido fechada nesta semana, mas restam algumas divergências em relação ao preço. Fernandes, que já foi dono de uma fortuna de US$ 300 milhões e passou a última década em uma fazenda em Petrópolis, criando ovelhas e administrando uma pequena empresa de telefonia via internet, acredita que finalmente chegou a hora de dar a volta por cima. "A maioria do pessoal que está aí não passou por crise nenhuma", diz ele, que vê na crise financeira internacional uma grande oportunidade. "Eu sou bicho da crise. Fundei o Pactual em 1983 em cima do default da dívida brasileira. E em 1971, quando fundamos o Garantia, a ação do Banco do Brasil saiu de 50 para 5 (cruzeiros)."Fernandes passou os últimos dez anos pensando em uma forma de voltar ao mercado. Chegou a montar um banco de investimentos, o Invixx, em sociedade com o ex-embaixador Jório Dauster, mas encerrou as atividades em menos de um ano, não sem enterrar alguns milhões de reais. "Esse é o momento ideal para montar um banco de investimento, desde que não se traga esqueletos do passado", afirma. Na opinião dele, faltam bancos de investimentos brasileiros. "O Brasil perdeu todos os bancos de investimentos para os estrangeiros. E por mais que esses bancos tenham boas ideias, a operação brasileira fica limitada pelo problema das matrizes lá fora." Fernandes entra no negócio em sociedade com o empresário carioca Eugênio Holanda, dono da Tetto Habitação, uma gestora de créditos imobiliários. Juntos, eles criaram uma holding chamada MTTG (M de Marambaia, nome da sua fazenda, e TT de Tetto). As iniciais MTT também darão nome ao novo banco, uma vez aprovada a operação pelo Banco Central."Vamos ser um banco de investimentos puro-sangue. Quero reviver o que fiz no Garantia e no Pactual", afirma. Reconhecido no passado por ter grandes ideias - foi dele, por exemplo, a ideia de transformar a corretora Garantia em banco de investimentos -, Fernandes já está cheio delas. "Quero lançar produtos de derivativos de dívidas, tipo ETN, com tripla indexação: jurinhos, dólar e petróleo, por exemplo. Podemos fazer também, no lugar de petróleo, açúcar e álcool, desde que se tenha uma quantidade física em reservas", explica. "Vai ser diferente dessa papagaiada de derivativos que se fez lá fora, que não tinha reservas físicas."Aos 70 anos, Fernandes espera contar com a ajuda de executivos da sua geração que saíram de grandes empresas e viraram consultores. "Vamos ter um modelo de Limited Partners." Ele explica: "Teremos uma área com pessoas conhecidas, que estão se aposentando e que podem vir para o banco. Ao invés de montarem uma consultoria na Faria Lima e ficar conversando com a secretária, eles podem se instalar com a gente e contar com infraestrutura, secretária."Os parceiros serão remunerados pelos negócios que levarem para o banco. "Se trouxer ganha, se não trouxer, não ganha nada." Os parceiros também poderão comprar uma participação de até 1% no banco.

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