Fundamentos de setores e empresas balizam as indicações

Corretoras consideram a possibilidade de imposição de uma taxa de importação para o etanol norte-americano em julho

Karin Sato, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2017 | 05h00

Os fundamentos dos setores e das empresas têm pautado os analistas do mercado, diante das incertezas políticas e econômicas que permanecem no radar. Os analistas da Coinvalores, por exemplo, optaram por trocar Iochpe-Maxion por Cosan, considerando a possibilidade de imposição de uma taxa de importação para o etanol norte-americano ao longo de julho.

“Este fato e a chance de um aumento na Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre combustíveis podem dar um fôlego ao mercado sucroalcooleiro. A operações da Cosan seriam favorecidas neste contexto e suas ações estão descontadas em bolsa, a nosso ver, o que corrobora nossa recomendação de compra”, explica o analista da corretora, Felipe Silveira.

Nesta semana, o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Félix, disse que a elevação da Cide, pleiteada pelo setor sucroalcooleiro, está sob análise do Ministério da Fazenda. “O assunto foi discutido há alguns meses, chegou a ser cogitado no MME quando houve a virada do PIS/Cofins, mas está sendo coordenado pelo Ministério da Fazenda”, afirmou então Félix.

Por falar em Cide, a Lerosa Investimentos manteve a indicação de São Martinho em sua carteira. O analista Vitor Suzaki espera que a ação recupere as perdas do mês causadas pela queda dos preços do açúcar. “Um ponto importante seria a possibilidade cada vez maior de implementação de nova tarifa para a Cide, que traria uma recuperação da vantagem competitiva ao etanol”, diz Suzaki.

Outro papel no portfólio da Lerosa é Pão de Açúcar. O analista explica que a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do Carrefour, próxima de ser concretizada, é um vetor positivo, por conta de maior visibilidade ao setor e comparação mais detalhada das operações. E cita ainda possibilidade de desinvestimento do Pão de Açúcar na Via Varejo, dona de Casas Bahia e Pontofrio.

Atentos aos fundamentos, a equipe de análise da Guide Investimentos substituiu a Cteep - Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista por Equatorial. “Sustentamos nossa recomendação em três principais pontos: foco da diretoria na entrega de resultados; a empresa está bem posicionada para participar de possíveis fusões e aquisições do setor; e é atrativo o valuation (múltiplos por meio dos quais analistas verificam se determinada ação estaria barata ou cara)”, diz o relatório da casa.

A Equatorial também está no portfólio do Banco Fator. “Recentemente, empresas da holding ganharam sete lotes no último leilão de transmissão, o que significa um robusto investimento para o segmento nos próximos anos”, diz relatório do banco.

Além disso, a equipe de análise afirma que o setor pode continuar beneficiado pela queda das taxas de juros, pelo ambiente regulatório favorável, além das inúmeras oportunidades de aquisição de outras subsidiárias.

Por sua vez, a Terra Investimentos retirou CCR e Cielo para o ingresso de Lojas Americanas e Embraer. A respeito da varejista, uma das justificativas para a indicação é que o cenário de risco político levou ao recuo da ação, o que gerou uma oportunidade de compra. Quanto à Embraer, o analista Régis Chinchila explica que há expectativa de pedidos de aeronaves no segundo semestre deste ano.

 

 

 

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