Fundamentos do Brasil merecem melhor rating, diz chairman na Merrill

O chairman internacional da Merrill Lynch, Jacob Frenkel, disse hoje que a avaliação do risco brasileiro parece estar exagerada. Em rápida entrevista, após encontro com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, Frenkel afirmou que os fundamentos da economia brasileira mereceriam uma classificação melhor. Acompanhado do ex-ministro da Fazenda, Marcílio Marques Moreira, ele apresentou, no encontro, a sua avaliação sobre o cenário econômico internacional. Estavam presentes ao encontro também o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, e os diretores do BC Luiz Fernando Figueiredo (Política Monetária), Ilan Goldfajn (Política Econômica) e Beny Parnes (Assuntos Internacionais). Frenkel fez elogios à equipe econômica brasileira e disse que tanto o time do Ministério da Fazenda como o do Banco Central são "excelentes". "Falando sinceramente, há muito poucas equipes no mundo que podem ser comparadas à qualidade da brasileira", disse Frenkel. Ele considera que a estratégia econômica da equipe brasileira tem sido "bem definida e é consistente". Ponderou, no entanto, que a realidade hoje é de grande volatilidade no sistema financeiro internacional, com muitas incertezas. Frenkel citou os problemas da Argentina, "que faz parte da zona sul-americana". Segundo ele, tudo isso contribuiu para criar um ambiente externo desfavorável para o Brasil. Para o chairman da Merrill Lynch, as incertezas políticas têm contribuído para o aumento da avaliação do risco da economia brasileira, mas destacou que "a boa notícia é a de que a temporada eleitoral termina logo." Segundo Frenkel, depois das eleições, a situação estará mais clara. Ele destacou que há um consenso no mundo sobre qual o tipo de estratégia que uma economia moderna deve ter, e ressaltou que a estratégia atual da economia brasileira é consistente com essa necessidade. "Uma das razões para o prêmio de risco é o preço pelas incertezas", afirmou Frenkel.

Agencia Estado,

16 de julho de 2002 | 17h07

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