Fundo administrado pelo BTG rende 400% em 2011 com aposta em juros

Bintang, que significa estrela em indonésio, tem um único cotista e foi criado em agosto de 2010 com patrimônio de R$ 3,9 milhões

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2012 | 03h04

Um fundo de investimentos administrado pelo BTG Pactual acumulou rentabilidade de 402% no ano passado apostando nas oscilações da taxa básica de juros (Selic). O desempenho, muito superior à média de fundos do mesmo segmento (na faixa dos 25%), chamou a atenção do mercado financeiro, conforme informou ontem a colunista do 'Estado' Sonia Racy.

Criado em agosto de 2010, o Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado Bintang - Investimento no Exterior tem um único cotista e começou com patrimônio de R$ 3,9 milhões. Na última quinta-feira, já eram pouco mais de R$ 50 milhões, um avanço de 1.182%. "É uma rentabilidade absolutamente fora dos padrões", disse uma fonte de mercado.

O BTG Pactual e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não informaram quem é o cotista, sob o argumento de que se trata de informação sigilosa.

O gráfico com a oscilação do Bintang revela que, entre julho e setembro do ano passado, o patrimônio cresceu quase 100% - de R$ 20 milhões para R$ 38 milhões, segundo dados disponíveis no site da CVM.

Em 31 de agosto de 2011, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu inesperadamente a taxa básica de juros (Selic) de 12,5% para 12% ao ano. Na ocasião, todas as 73 instituições financeiras consultadas em uma pesquisa da Agência Estado esperavam que a taxa seria mantida nos 12,5%.

Em outubro, a CVM abriu investigação por causa de movimentações "atípicas" às vésperas daquele encontro do Copom. Há uma semana, informou que as investigações terminaram sem que fossem constatadas irregularidades.

O Bintang, que significa estrela em indonésio, tem na carteira basicamente opções de compra e venda de taxas de juros. Nesses papéis, negociados na BM&FBovespa, o investidor aposta no que vai acontecer com a Selic. Em alguns momentos de 2011, o fundo aplicou praticamente todo o patrimônio de que dispunha nesses papéis.

Alavancado. No jargão de mercado, significa que assumiu posições muito alavancadas (arriscadas). "Se acertasse, como acertou, ganharia uma fortuna. Mas, se errasse, perderia tudo", disse uma fonte.

O regulamento informa que o Bintang tem como gestor Marcelo Augusto Lustosa de Souza. Procurado, o BTG informou que "o gestor é pessoa física, credenciado junto à CVM, e nunca foi funcionário do BTG Pactual ou teve qualquer vínculo profissional com o banco".

O BTG não informou os contatos do gestor, que não foi localizado pelo Estado.

Segundo o regulamento do fundo na CVM, a administradora responde pelo "conjunto de serviços relacionados direta ou indiretamente ao seu funcionamento e à sua manutenção".

Embora o regulamento fale em "investimento no exterior", a carteira do Bintang mostra que só há operações com ativos negociados no Brasil. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que acompanha o mercado de fundos, informou que o Bintang está classificado como "multimercado".

O BTG Pactual cobra uma taxa de administração do fundo Bintang de 0,25% ao ano. O texto também diz que o fundo foi criado com prazo de validade de dois anos, que podem ser prorrogados caso o cotista decida.

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