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Fundo Advent compra 13% do Grupo Fleury

Após negociação que envolveu outros fundos, entre eles KKR e Tarpon, fatia de empresa de diagnósticos foi vendida por cerca de R$ 400 milhões

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2015 | 02h05

O fundo de investimento americano Advent fechou a compra de 13% de participação do laboratório Fleury, uma das maiores companhias de medicina diagnóstica do País, afirmaram fontes com conhecimento no assunto ao 'Estado'. O valor do negócio é avaliado em até R$ 400 milhões e o negócio está previsto para ser anunciado hoje ao mercado.

A venda dessa fatia ao Advent foi feita pela Core Participações, maior acionista do laboratório, que reúne 23 médicos e uma administradora de empresa e detém 41,2% de participação direta e indireta na empresa. A Core divide o bloco de controle do laboratório com a Bradesco Seguros, que detém fatia direta e indireta de 10,4%.

A negociação envolvendo uma fatia do Fleury já era esperada pelo mercado. Depois de tentativa frustrada de se unir ao laboratório mineiro Hermes Pardini, no ano passado, em uma operação costurada pela gestora Gávea Investimentos, o Grupo Fleury voltou a negociar no início deste ano a entrada de um investidor para o seu negócio. As conversas estavam em andamento com gestoras nacionais, como a Tarpon, e estrangeiras, como Advent, KKR, além da Temasek, empresa de investimento do governo de Cingapura, e do fundo soberano do mesmo país, o GIC.

No processo que envolvia a união entre Hermes Pardini e Fleury, as negociações esbarraram no preço e também por desentendimentos entre os acionistas dos dois laboratórios, segundo fontes de mercado. Quando retomaram as conversas ainda no início deste ano, os acionistas do Fleury, reunidos na Core Participações, decidiram vender uma fatia minoritária para dar impulso ao movimento de expansão da companhia.

O grupo de acionistas reunidos na Core é composto, em sua maioria, por médicos com idade média acima de 60 anos. Parte deles já não estaria mais interessada em se manter no negócio, mas não havia um consenso de todos para fechar a operação.

Com faturamento líquido de R$ 1,678 bilhão em 2014, aumento de 1,3% em relação ao ano anterior, o Fleury é um dos principais ativos de saúde cobiçados no mercado brasileiro. Neste primeiro semestre, o grupo encerrou com receita líquida de R$ 926,4 milhões, aumento de 13,7% em relação aos primeiros seis meses do ano passado. O lucro líquido no período foi de R$ 46,3 milhões, elevação de 9,2% em relação aos primeiros seis meses do ano passado.

Classes A e B. Depois de um forte movimento de aquisições em seu passado recente, o grupo decidiu focar sua estratégia no fortalecimento das marcas premium Fleury, Felippe Mattoso, no Rio, e Weinmann, no sul do País. As bandeiras a+ e Labs D'Or, que tinham apelo mais popular, estão sendo reposicionadas para atender a classe B. Entre 2009 e 2014, investiu R$ 1,32 bilhão em aquisições. Em 2012, comprou a Papaiz, empresa que faz exames de radiografia odontológica, que não fazia parte do negócio do grupo. Agora, a diversificação não faz mais parte do foco da companhia, que quer se concentrar nas classes A e B.

Após o movimento de consolidação, que levou o grupo além do Estado de São Paulo, o Fleury decidiu mudar a estratégia de negócios. A companhia abriu o capital em 2009 como forma de buscar dinheiro novo para seguir sua expansão.

No ano passado, o grupo inaugurou um centro integrado de diagnóstico cardiológico e neurovascular e também investiu em um centro de diagnóstico voltado para o público feminino. Para este segundo semestre está prevista a inauguração de uma nova unidade em Jundiaí (SP).

Fontes afirmam que o Fleury não descarta a entrada de novos investidores no negócio. Segundo as mesmas fontes, o Hermes Pardini continua sendo assediado no mercado, uma vez que é considerado um ativo importante no segmento de saúde no mercado brasileiro. Procurados, o grupo Fleury e o fundo Advent não se manifestaram sobre o assunto.

 

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