Tasso Marcelo|Estadão
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Fundo Advent compra ações de Zaher para ganhar poder dentro da Estácio

Desde o fracasso da fusão entre Estácio e Kroton, em junho, o fundo americano está adquirindo papéis do grupo de educação e já é dono de 8,67% da companhia; segundo fontes, Advent quer deter 20% da Estácio e transformar a empresa em consolidadora do setor

Cátia Luz e Monica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 05h00

Em um movimento para se tornar um acionista relevante e ter poder de decisão no grupo de educação Estácio, o fundo de investimento americano Advent informou ontem que possui agora 8,67% do capital social da companhia – a gestora começou a comprar ações da empresa nas últimas semanas. Com essa movimentação, o Advent se tornou o terceiro maior acionista do grupo, atrás dos fundos Oppenheimer, Coronation e Fidelity.

As ações foram compradas do empresário Chaim Zaher, que antes da venda tinha fatia de 7,25% da companhia. Segundo fato relevante divulgado ontem pela Estácio, a família Zaher (que reúne também a participação de sua mulher, Adriana Zaher, e do Clube de Investimentos TCA) possui agora 3,51% da companhia. Procurado, o empresário não quis comentar o assunto.

Desde que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) barrou a fusão da Estácio com a Kroton, em junho, o Advent tem aumentado sua participação na Estácio, com o intuito de tornar a companhia a grande consolidadora do setor. O fundo americano já fez esse movimento com a Kroton, hoje líder de mercado. De acordo com fontes do segmento, o fundo pretende deter até 20% da companhia e já estaria sondando a compra da participação dos outros fundos que são acionistas da Estácio. Procurado, o Advent não quis comentar.

“O sonho dourado do Advent é reproduzir na Estácio o que fez na Kroton”, diz o professor Carlos Monteiro, presidente da CM Consultoria, especializada em educação. “E esse parece um momento ideal para eles se fortalecerem na empresa. Há espaço para uma série de ajustes para levar à melhora de produtividade e à expansão.”

Assembleia. O conselho de administração da Estácio convocou para dia 31 deste mês uma assembleia para propor aos acionistas uma mudança em seu estatuto. A meta é exigir que o investidor que superar 20% de participação no grupo pague um ágio de 30% pelas ações. A iniciativa quer transformar a companhia em uma empresa de capital pulverizado, sem controlador definido.

Essa proposta do conselho desagradou Chaim Zaher, segundo fontes. O Estado apurou que, caso seja aprovada, o empresário deverá vender o restante de suas ações no negócio. Do contrário, poderia voltar a comprar os papéis da empresa.

Com um valor de mercado de R$ 6,8 bilhões, a Estácio é a que apresenta a menor rentabilidade entre as quatro companhias de educação listadas na Bolsa – Kroton, Anima e Ser Educacional. Apesar de ter apresentado bons resultados no segundo trimestre, o grupo terá de continuar os ajustes, com corte de custos e mudanças na gestão, para se tornar mais rentável. 

+ Estácio tenta se organizar para crescer 

Esse processo deverá ocorrer ao longo deste ano e de 2018. Segundo uma fonte, o processo de ajustes pode se tornar mais desafiador daqui em diante, pois a empresa terá de voltar a fazer investimentos que, no plano original, estariam a cargo da nova dona, a Kroton. 

Consolidação. O grupo está conversando com bancos para buscar ativos no mercado e voltar a crescer, após a fusão ter sido barrada pelo Cade. Outras empresas, como Kroton e Ser Educacional, devem fazer o mesmo movimento. Segundo uma fonte do mercado financeiro, todos os grupos de educação estão olhando ativos.

A Advent voltou à área de educação em 2015, dois anos após ter vendido suas ações da Kroton, com a compra do Centro Universitário da Serra Gaúcha, de Caxias do Sul (RS). Segundo fontes, o fundo estaria disposto a investir até R$ 900 milhões para ficar com ativos que a Kroton teria de vender se a união fosse aprovada pelo Cade. Como a fusão foi barrada, essa munição desse se voltar à compra de ações da Estácio, garantem pessoas familiarizadas com o assunto. 

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