Fundo alerta para risco de choque financeiro

Em relatório sobre os EUA, Fundo adverte que, se o país declarar moratória em agosto, irá abalar economia mundial

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou ontem para o risco de o mercado financeiro mundial sofrer um "severo choque" se os EUA declararem moratória no início de agosto. Destacada no relatório anual de avaliação da economia americana, a advertência surgiu no momento de impasse nas negociações entre o Congresso e a Casa Branca sobre o plano de redução do déficit fiscal nos próximos dez anos.

Pressionado até mesmo pela base democrata no Senado, o presidente Barack Obama convocou uma entrevista para assinalar as "consequências significantes e imprevisíveis" de um eventual default de seu governo.

O Departamento do Tesouro americano fixou em 2 de agosto o prazo máximo para o Congresso deliberar sobre o aumento do teto para a dívida pública americana, hoje em US$ 14,3 trilhões. Sem essa iniciativa, o governo federal dos EUA ficará impossibilitado de efetuar o pagamento de suas despesas e, inevitavelmente, terá de declarar moratória.

No Congresso, o tema está condicionado à formulação do plano de ajuste fiscal de 2012 a 2022. Os republicanos exigem mais cortes de gastos públicos. Os democratas querem o fim da redução de tributos para as companhias petroleiras e os americanos mais ricos. Um partido não aceita as exigências do outro.

"Isso (a moratória) pode tomar a forma de um repentino aumento da taxa de juros e/ou de rebaixamento da classificação de risco soberano se um acordo sobre a consolidação (fiscal) não for materializado ou se o teto da dívida não aumentar em breve", assinalou o FMI no seu relatório. "E esses riscos teriam repercussões mundiais."

O diretor-gerente em exercício do Fundo, John Lipsky, mostrou-se mais enfático ao afirmar à imprensa ser "evidente que o default do governo americano teria repercussões sérias, extensas e dramáticas". "Por isso estamos confiantes que (a moratória) será evitada", concluiu.

Obama, entretanto, deixou um tom menos otimista em suas ponderações sobre o acordo com o Congresso. Ele destacou serem inaceitáveis as exigências dos republicanos. Sua entrevista de ontem foi o resultado de pressões de seus principais aliados no Senado para que usasse o púlpito em defesa do aumento do teto para a dívida pública e das críticas dos republicanos, para quem a Casa Branca se vale da "tática do pânico" ao tratar do tema.

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