Fundo Carlyle, dono da CVC, compra empresa de planos de saúde Qualicorp

Apetite. Aquisição, que pode chegar a R$ 1,9 bilhão, marca o avanço no Brasil do fundo americano de investimentos, que em janeiro comprou 63,6% da CVC por estimados R$ 700 milhões; fundador da Qualicorp ainda ficará com 30% das ações

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2010 | 00h00

O fundo de investimentos americano Carlyle Group anunciou ontem a aquisição do controle do grupo de saúde coletiva Qualicorp, incluindo os 42% do negócio que pertenciam desde 2008 a outro fundo, o General Atlantic. O valor do negócio não foi divulgado oficialmente. Fontes de mercado afirmam que chega a até R$ 1,9 bilhão.

Esse total, segundo fontes, envolve pagamento aos acionistas (a maior parte), investimentos na empresa e assunção de dívidas. O Estado apurou também que o fundador da companhia, José Seripieri Júnior, deve manter uma participação de 30% na Qualicorp, mesmo depois da entrada do Carlyle no negócio.

A Qualicorp é conhecida por oferecer planos de saúde de empresas como Sul América, Unimed Paulistana e Medial Saúde para entidades de classe. Em comunicado, a empresa informou que está presente em nível nacional e representa mais de 2,8 milhões de beneficiários.

De acordo com informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o setor de planos de saúde movimentou cerca de R$ 65 bilhões no passado. O órgão informa que o segmento contabilizava 43,2 milhões de beneficiários em 2009, dos quais 7,4 milhões têm planos coletivos por adesão, mercado em que a Qualicorp vem apostando desde a sua fundação, há 13 anos.

A aquisição do controle da empresa de saúde marca o segundo grande passo do grupo de investimentos americano no País. O Carlyle Group "estreou" no Brasil em janeiro deste ano, com a compra de 63,6% das ações da maior operadora de turismo do País, a CVC, com dispêndio estimado em R$ 700 milhões.

O dinheiro para a aquisição da Qualicorp veio das mesmas fontes do negócio com a CVC: os fundos Carlyle Partners V, que administra US$ 13,7 bilhões, e o Carlyle South America Buyout, direcionado para negócios no Brasil e países vizinhos. Em todo o mundo, o Carlyle Group administra atualmente ativos avaliados em US$ 90 bilhões.

O diretor executivo do Centro de Estudos em Private Equity (Cepe), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Cláudio Furtado, explica que a maior parte do negócio foi uma operação secundária de private equity, em que um fundo comprou a posição de outro. "Nesse sentido, a forte relação que o Carlyle tem com o General Atlantic nos Estados Unidos teve peso fundamental. O negócio mostra também que o grupo está no Brasil com compromisso de longo prazo, embora sua participação no País ainda seja relativamente pequena."

O General Atlantic, que receberá a maior parte do dinheiro a ser pago pelo Carlyle, saiu no lucro com a operação: há dois anos, o fundo havia comprado sua fatia de mais de 40% da Qualicorp por US$ 100 milhões. O fundo está presente em diversos negócios no Brasil, incluindo a BM&F Bovespa e o site Mercado Livre.

Investimento. De acordo com o comunicado conjunto sobre o negócio, a venda do controle para o Carlyle vai permitir que a empresa tenha caixa suficiente para crescer por meio de aquisições - até agora, a maior parte do crescimento da Qualicorp foi orgânico.

Como a Qualicorp já é conhecida no mercado por oferecer planos de saúde coletivo a preços, em média, 40% inferiores aos individuais, a entrada do novo sócio deve reforçar o caráter "popular" da empresa. Uma das metas do Carlyle Group é aumentar a oferta de produtos para as classes C e D. Segundo comunicado das companhias, o atendimento à classe média emergente é um segmento que se mostra "promissor" nos próximos anos.

O Banco Bradesco BBI e os escritórios de advocacia Latham & Watkins e Barbosa, Müssnich & Aragão assessoraram o Carlyle Group na operação. A empresa Qualicorp foi auxiliada pelo Credit Suisse, pelo BR Partners e pelos escritórios de advocacia Davis Polk & Wardwell e Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados.

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