Fundo corta previsão de expansão global

Organismo reduz de 4,5% para 4% a estimativa de crescimento da economia mundial neste ano; no Brasil, PIB cai de 4,1% para 3,8%

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE/ WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h08

O Fundo Monetário Internacional (FMI) puxou para baixo a estimativa de crescimento da economia mundial neste ano para 4,0% e alertou para a necessidade de os países desenvolvidos e emergentes executarem, de uma vez por todas, "fortes políticas" para melhorar esse cenário e reduzir os riscos ainda presentes. Em abril, a projeção do FMI era de expansão de 4,5%.

Afetado pelas crises nos Estados Unidos e na União Europeia, o grupo das economias avançadas crescerá apenas 1,6%. A economia mundial não terá desempenho pior em 2011 graças aos mercados emergentes, cuja atividade deve crescer 6,4%, conforme o Panorama da Economia Mundial, divulgado ontem pelo Fundo.

O crescimento mundial deste ano, resumiu o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, foi minado por mais razões do que o impacto de medidas de ajuste fiscal e do terremoto no Japão. Faltaram esforços dos EUA e da União Europeia para aumentar a poupança interna e reforçar as exportações, e dos emergentes, em especial da China, esforços para estimular o mercado consumidor. Essa é uma recomendação do Fundo e do G-20, o grupo das maiores economias avançadas e emergentes, insistentemente repetida desde 2008.

"Agora, essa ação de equilíbrio não está sendo adotada", afirmou. "Como sempre, as previsões sugerem que os compromissos políticos estão sendo cumpridos. Entretanto, as coisas podem ficar piores. Crescimento baixo, debilidade fiscal e financeira podem se alimentar reciprocamente. Ou seja, há mais claros riscos de recuo nas previsões do que os mencionados", explicou Blanchard, logo depois de advertir para o elevado temor dos mercados em relação ao risco soberano das economias avançadas.

Blanchard desviou-se de indicar uma possível recessão nos EUA e na Europa em curto prazo. Mas alertou para o "maior perigo" hoje estar no "colapso da demanda agregada" - um dos fatores de recessão. Para evitá-la, seria justificável argumentar em favor da expansão fiscal para estimular o consumo e o investimento, sem perder a perspectiva do necessário ajuste em médio prazo. "Estou cansado de ouvir a mim mesmo repetir a necessidade de uma consolidação fiscal crível no médio prazo."

Eleição. O FMI previu para os Estados Unidos crescimento econômico de 1,5% neste ano e de 1,8% em 2012, período de eleição presidencial. Além do apoio já explicitado à política da Casa Branca de novo estímulo à economia, o Fundo mostrou-se favorável à proposta de ajuste fiscal tal qual desenhada pelo governo de Barack Obama e apresentada nesta semana ao Congresso. O pacote prevê a redução do déficit público em US$ 3,6 trilhões em dez anos, dos quais US$ 1,5 trilhão a ser extraído da eliminação de deduções e de brechas na tributação dos contribuintes com maior renda.

Porém, o Panorama adverte para o fato de a taxa de juros próxima a zero, a ser mantida pelo Federal Reserve (banco central americano) até meados de 2013, alimenta os fluxos de capitais voláteis e aumenta riscos para as economias receptoras, como o Brasil. Afetada pelo nível elevado de endividamento e pela desconfiança do mercado em sua capacidade de lidar com esse quadro, a zona do euro crescerá 1,6% neste ano e 1,0%, em 2012.

Os emergentes não estão no centro desse problema, mas serão afetados inevitavelmente por uma piora no cenário mundial, disse Blanchard. Mesmo com contínuo crescimento, terão de lidar com um ambiente de maior volatilidade dos fluxos de capital e de condições adversas para as exportações.

A América Latina contribuirá com crescimento de 4,5%, mas iniciará este ano o fim de seu ciclo de atividade mais robusto, advertiu o Banco Mundial. "Isso aconteceria mesmo sem os problemas econômicos nos EUA e na Europa", afirmou o economista-chefe para a América Latina do Bird, Augusto de La Torre.

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