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Fernanda Camargo: O insustentável custo de investir desconhecendo fatores ambientais

Fundo da Noruega tira R$ 14 bilhões do Brasil

Maior fundo soberano do mundo tem perdas no País e decide mudar estratégia

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2016 | 05h00

LONDRES - O Brasil gerou prejuízo ao maior fundo soberano do planeta no ano passado e, em meio aos problemas sem perspectiva de melhora, os gestores decidiram reduzir quase pela metade a exposição ao País. Balanço do Fundo Soberano da Noruega revelou que o total de investimentos em ativos brasileiros caiu 41,7% no decorrer de 2015, para 47,1 bilhões de coroas norueguesas. Um dos principais problemas foi o retorno negativo de 27,4% gerado pelos títulos brasileiros de renda fixa, o que derrubou o resultado de toda a carteira.

Números apresentados ontem pela manhã revelaram que os gestores do Fundo Soberano da Noruega mudaram radicalmente a estratégia de investimento para o Brasil. A exposição da carteira às ações e títulos de dívida do País caiu o equivalente a 33,7 bilhões de coroas norueguesas – ou cerca de R$ 14 bilhões.

A maior contração aconteceu na renda fixa, onde a exposição diminuiu em 45,7%. Só nos títulos emitidos pelo governo federal – que compõem a maior parcela – a posição da carteira foi reduzida em 47%, conforme o patrimônio declarado em coroas norueguesas. Isso fez com que o Tesouro Nacional caísse de 8º emissor mais importante da carteira de renda fixa em 2014 para a 17ª posição em 2015.

Na renda variável, a exposição aos papéis brasileiros foi reduzida em 36,4% no ano. Apenas com as ações da Petrobrás, a posição financeira dos noruegueses diminuiu em 40% em 2015. Na comparação com o pico registrado em 2010, a exposição do Fundo Soberano da Noruega às ações da estatal brasileira já diminuiu 81%.

Prejuízo. O próprio fundo detalha as razões por trás dessa grande mudança de estratégia. “Os títulos governamentais de mercados emergentes, que somam 12,2% da carteira, fizeram menos que os papéis de países desenvolvidos, com retorno negativo de 4,9%. O Brasil teve desempenho particularmente ruim, com retorno negativo de 27,4% na cesta de moedas do fundo, devido ao aumento do juro e do real fraco”, diz o relatório, ao lembrar que a renda fixa das economias desenvolvidas teve retorno positivo de 1,6%.

Os gestores reconhecem que, em reais, os papéis brasileiros emitidos pelo Tesouro Nacional terminaram o ano com retorno positivo de 2,9%. O ganho, porém, foi completamente corroído pela expressiva desvalorização do real ao longo do ano. Por isso, a carteira de renda fixa do maior fundo soberano do mundo teve retorno 0,2 ponto porcentual inferior à referência seguida pelos gestores.

Na média, a carteira de renda fixa rendeu 0,3% no ano. “A carteira tinha posição acima da referência nos mercados emergentes, mais notadamente no Brasil, e isso gerou contribuição negativa diante do fraco retorno nos bônus do governo brasileiro”, cita o relatório.

Os gestores explicaram o mau momento dos ativos brasileiros pela situação mais frágil dos mercados emergentes, o que “enfraqueceu severamente o real”. Os papéis emitidos pelo Tesouro e outros governos emergentes também foram afetados com “o pequeno aumento no retorno de longo prazo dos países desenvolvidos”.

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