Fundo de bilionário russo deve fazer proposta para se tornar sócio da Oi

Conversas com o fundo LetterOne (L1), de Mikhail Fridman, avançaram e operadora brasileira poderá receber aporte de cerca de US$ 3 bilhões; operação está condicionada à entrada da TIM no negócio e deve viabilizar saída de acionistas

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2015 | 02h04

O fundo LetterOne (L1), do bilionário russo Mikhail Fridman, poderá apresentar, nas próximas semanas, uma proposta de aporte de US$ 3 bilhões na operadora Oi para tornar-se sócio da companhia, afirmou uma fonte familiarizada com a operação ao 'Estado'. A transação, contudo, está condicionada à participação da TIM no negócio.

As discussões para a entrada da LetterOne estão sendo conduzidas pelo BTG Pactual, conforme publicou o Estado no dia 7 de outubro.

"O aporte (do fundo) seria para viabilizar as trocas de ações entre as operadoras no futuro e promover a saída do BNDES (um dos principais acionistas da Oi) do negócio", disse a mesma fonte.

As conversas entre os gestores do fundo L1 com o BTG já estão em andamento há algumas semanas, mas ainda não há uma proposta firme na mesa. Procurados, Oi e BTG não comentam o assunto. A TIM e LetterOne não retornaram os pedidos de entrevista.

O bilionário Mikhail Fridman tem investimentos, por meio de seu fundo LetterOne, em companhias de telecomunicações da Europa. Em abril, o fundo L1 anunciou ao mercado planos para investir US$ 16 bilhões em empresas de telecomunicações, tecnologia e também óleo e gás.

Fridman é dono do Grupo Alfa, que controla um dos maiores bancos privados de investimento da Rússia. Nascido na Ucrânia, em 1964, o empresário pertence a uma das famílias mais ricas da Rússia. Ele começou seus negócios na área de entretenimento na década de 80. Hoje, seu grupo é controlador de operadoras de telefonia na Rússia, VimpelCom, e na Turquia, a Turkcell.

Saída. Se essa operação com a Oi for concretizada, abrirá caminho para que alguns dos principais acionistas da operadora, a quarta maior do País, entre eles o BNDES, a Telemar Participações, e o próprio BTG, que fez aporte na empresa por meio do fundo Caravelas, saiam do negócio. O fundo do banco tem 7% de participação, dos quais 3,5% são do BTG; o BNDES também tem quase 7% de fatia, e o fundo de pensão dos professores de Ontário tem outros 7%. O Pharol , que reúne os acionistas da PT SGPS (antigos acionistas da Portugal Telecom), é o maior acionista individual.

A Oi tornou-se uma companhia de capital pulverizado - sem a figura de um controlador ou um bloco de controle - no mercado em setembro. Com essa nova estrutura, a saída de antigos acionistas do negócio poderá ser feita por venda de ações no mercado, desde que se respeite os prazos estabelecidos pela Bolsa.

Endividada. A entrada de um investidor na Oi é considerada vital para a saúde financeira da companhia, que encerrou o segundo trimestre com dívida bruta de R$ 51,28 bilhões. A Oi foi a grande aposta do governo para ser uma das grandes campeãs nacionais e contou com suporte financeiro do BNDES.

Depois de anunciar a fusão com a Portugal Telecom em outubro de 2013, os planos da companhia, que pretendia ser uma das maiores operadoras de telefonia do Brasil, desandaram por conta da falência da família Espírito Santo, uma das principais acionistas da PT.

Contratado em agosto do ano passado, o BTG tem tentado buscar alternativas para a operadora brasileira. Um dos caminhos seria a fusão com uma das outras operadoras que atuam no Brasil - Telefônica, Claro, do grupo mexicano América Móvil, e com a italiana TIM. A associação com a TIM tem sido apontada como a mais viável.

 

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