Fundo de R$ 800 milhões do Bozano investirá em educação

Novo fundo do grupo deJúlio Bozano contacom a participação dogigante alemão demídia Bertelsmann

THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2014 | 02h01

A empresa brasileira Bozano Investimentos montou um novo fundo de private equity, que compra participações em empresas, de RS 800 milhões (ou US$ 309 milhões) focado no setor de educação, em uma indicação de que alguns investidores estão enxergando além das mazelas econômicas correntes do País.

O montante do fundo é mais que o dobro do último que a empresa supervisionou em 2009. Ele também atingiu a meta que a Bozano tinha estabelecido no início deste ano quando começou a levantar os recursos.

O novo fundo, que inclui o conglomerado europeu de mídia Bertelsmann como investidor, deve ser fechado formalmente em janeiro, de acordo com três pessoas familiarizadas com o assunto.

Uma delas assegurou que o banco atingiu seu máximo estabelecido e não estaria mais levantando recursos ativamente. Agora, a Bozano estaria apenas aguardando a papelada e os procedimentos burocráticos, o que não é nem simples nem garantido no Brasil. Procurada por e-mail, a Bozano não retornou os pedidos de entrevista.

O novo fundo vem em um momento em que o Brasil enfrenta tempos difíceis. Sua economia cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre deste ano depois de ter se contraído em cada um dos dois primeiros trimestres.

Ainda assim, o levantamento de recursos em private equity no Brasil foi robusto este ano. No mês passado, a Advent International anunciou o levantamento de um novo fundo de US$ 2,1 bilhões para a América Latina. No início do ano, o Pátria Investimentos, no qual o Blackstone Group tem uma participação de 40%, completou um novo fundo de US$ 1,8 bilhão.

A Bozano Investimentos, com sede no Rio de Janeiro, foi formada em 2013 depois que o Grupo Bozano adquiriu e depois fundiu três firmas de investimento: BR Investimentos, Mercatto Gestão de Recursos e Trapezus Asset Management.

O Grupo Bozano, que tem uma participação de 20% na firma, foi fundado no início dos anos 1960 por Júlio Bozano. Ele investiu em vários setores, incluindo companhias aéreas como a Azul, que esta semana entrou com um pedido de oferta pública inicial de ações.

O setor financeiro sempre esteve no coração do grupo. No entanto, o banco de investimento Banco Bozano Simonsen, por exemplo, foi vendido para o Santander em 2000.

Júlio Bozano dava indicações de que poderia começar a investir em educação. O conglomerado Bertelsmann foi atraído para a nova oferta pelos fortes retornos do fundo da Bozano Investimentos de 2009 - uma taxa de retorno interna de 33%, no fim do primeiro trimestre deste ano, segundo uma das pessoas familiarizadas com a Bozano.

A Bertelsmann está colocando cerca de 40% do capital total do novo fundo para educação, segundo outra fonte. Outros investidores incluem fundos de pensão e escritórios de administração de recursos familiares brasileiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entrará com US$ 120 milhões, ou cerca de 15% do fundo, segundo outra fonte.

Para a alemã Bertelsmann, que possui a rede europeia RTL Group e a Penguin Random House, entre outras empresas, o investimento é mais uma medida para expandir em mercados emergentes. Ela abriu um escritório em São Paulo em 2012. No início deste ano, junto com a Bozano, criou um fundo de capital de risco de R$ 100 milhões, a VR Education Ventures, para investir em tecnologias associadas à educação. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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