Fundo dos EUA vai investir US$ 130 mi em 'startups' locais

O americano Redpoint e.ventures, que já investiu em cinco empresas, segue caminho de gigantes do setor, como o alemão Rocket Internet

NAYARA FRAGA , ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h06

O interesse dos "venture capitalists" (investidores que compram participação em empresas nascentes) pelo Brasil está cada vez mais evidente. Após o grupo alemão Rocket Internet, da loja virtual de calçados Dafiti, e do Atomico, que chegou ao País em maio, agora o Redpoint e.ventures mostra seu apetite ao anunciar um fundo de US$ 130 milhões para o mercado brasileiro.

O projeto, fruto da parceria entre os fundos Redpoint Ventures e e.ventures, ambas nascidos no Estado americano da Califórnia, é reforçar o estilo de investimento praticado no Vale do Silício, berço de gigantes como Apple, Google e Facebook, ao País. "É o melhor sistema de apoio aos empreendedores", disse ontem Anderson Thees, sócio-fundador da Redpoint e.ventures.

Nesse modelo, os empreendedores são os principais responsáveis pelo sucesso do negócio. Os investidores colaboram no dia a dia com contatos e ajudam em certas atividades, mas entram no projeto como minoritários. Para Thees, que já trabalhou como vice-presidente de desenvolvimento de negócios no Buscapé e foi presidente do Apontador, quando os fundos compram uma participação majoritária e a empresa cresce muito, o fundador se vê sem espaço e acaba saindo do negócio.

A estratégia da Redpoint e.ventures no Brasil é investir em empresas de internet voltadas para o mercado de varejo. A empresa espera construir um portfólio de 20 negócios e não descarta fazer aporte em países vizinhos.

Cinco jovens companhias já receberam parte do fundo de US$ 130 milhões - o montante já gasto não foi revelado. São elas: a holding de startups (empresas iniciantes) Xangô, a agência de turismo online Viajanet; a 55 Social, que faz campanhas em redes sociais; a Shoes4you, que vende sapatos por assinatura; e a Sophie & Juliete, de bijuterias. A expectativa do Redpoint e.ventures é gastar todos os R$ 130 milhões em cerca de quatro anos.

Como funciona. Os "venture capitalists" procuram empresas que tenham um negócio em desenvolvimento e precisam de recursos para crescer e dar passos mais ousados, como adquirir um concorrente. Cada aporte varia de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões, e a relação com a empresa termina quando o fundo vende sua participação.

Por trás desses fundos estão investidores profissionais. No caso da Redpoint e.ventures, há seguradoras e fundos de universidades estrangeiras. A função de quem gere o fundo é assegurar aos investidores de que a aplicação vale a pena e de que haverá bons ganhos no futuro.

O Redpoint Ventures e o e.ventures têm, juntas, US$ 4 bilhões sob gestão e 180 empresas no portfólio, incluindo Netflix (locadora online), o BranchOut (aplicativo para conexões profissionais no Facebook) e Groupon (compras coletivas).

A companhia de investimento chega ao Brasil num momento em que fundos estrangeiros enxergam no País um celeiro de oportunidades. O Sequoia, que investe em empresas como Google, LinkedIn e Yahoo, também pretende abrir escritório em São Paulo, segundo reportagem de maio do The New York Times.

"Atraem estrangeiros a população grande, a economia, a indústria de serviços, de tecnologia da informação, a infraestrutura", diz Clovis Meurer, presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital. Segundo levantamento da entidade, US$ 7 bilhões foram captados no País em 2011 para investimentos em venture capital e private equity (que compram fatias de médias e grandes empresas).

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