Paulo Pinto/AE
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Fundo espanhol desembarca no Brasil com 400 milhões de euros para investir

Fundo Mercapital, um dos mais importantes da Espanha, chega de olho principalmente em empresas de porte médio dos segmentos de saúde, bens de consumo e infraestrutura; pelo menos três negócios já estão na fase de análise de dados

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2011 | 00h00

Um dos fundos de private equity mais antigos da Espanha, o Mercapital, está desembarcando no Brasil com 400 milhões em caixa para investir em empresas brasileiras emergentes que atuem nos segmentos de saúde, bens de consumo e infraestrutura. O escritório aberto em setembro em São Paulo é o primeiro do fundo fora de Madri. Essa também é a primeira vez que os espanhóis destinam seus recursos a empresas estrangeiras.

O foco é América Latina e, especialmente, o Brasil. A previsão é que dois terços do investimento sejam abocanhados por empresas brasileiras. Mas também há interesse nos mercados chileno, colombiano, argentino, mexicano e peruano. O próximo escritório deve ser aberto em Bogotá.

"As oportunidades aqui não têm limites", diz o presidente do Mercapital, Javier Loizaga. Ele fala da América Latina com o entusiasmo de quem amargou três longos anos de crise na Europa e espera encontrar nas empresas latino-americanas uma nova oportunidade de crescimento.

O fundo chega ao País com uma estratégia diferente: não quer concorrer com os fundos de private equity (que investem na compra de fatias de empresas) locais. Em vez de aportar recursos diretamente em companhias brasileiras, o Mercapital vai capitalizar empresas espanholas e incentivar a entrada delas no Brasil.

"Não é uma operação meramente financeira, é industrial", explica Loizaga. "Oferecemos dinheiro e a experiência das companhias em que temos participação." Embora sejam embolsados por espanhóis, os 400 milhões são exclusivos para a compra de participação em empresas latino-americanas. Esse dinheiro foi captado pelo fundo em 2007, numa operação que levantou 1 bilhão, dos quais 600 milhões já foram investidos.

Os espanhóis costumam investir de 30 milhões a 120 milhões em cada operação. No radar, estão empresas familiares de porte médio com faturamento de até 300 milhões.

Hoje, são 19 negócios em carteira, a maioria nos segmentos de saúde (que vai de farmácias a academias de ginástica), de bens de consumo (principalmente alimentos) e de serviços auxiliares em infraestrutura. Entre as empresas do portfólio com potencial para fechar negócios no Brasil estão a Reccoleta , rede de laboratórios de diagnóstico por imagem, e a Ossa, líder em construção de túneis em rodovias.

Sem entrar em detalhes, Loizaga diz que há três negócios que já estão em fase de due diligence - etapa em que as contas das empresas estão sendo analisadas. Há um grande interesse do fundo pela região Sul e pelo interior de São Paulo. "O território paulista equivale a praticamente uma Espanha."

Interesses. O bom momento da economia brasileira explica apenas parte do interesse dos espanhóis. A crise europeia e o nível de maturidade atingido pelo mercado de consumo doméstico na Espanha ajudam a entender o restante. Ao contrário das alemãs, por exemplo, as companhias espanholas de médio porte não investiram em operações externas nos últimos anos. "O resultado é que sofremos muito mais com a crise." Agora, diz, é o momento de tentar consertar o erro e expandir os negócios.

Ter as atenções voltadas apenas para o mercado doméstico é uma armadilha que também pode derrubar as empresas brasileiras nos próximos anos. "O boom do consumo, a ascensão da classe média, os investimentos, tudo isso vimos acontecer na Espanha três décadas atrás", diz Loizaga. "Olhar o Brasil hoje é como ter um déjà-vu." Por isso, a intenção é fechar parcerias com empreendedores que também estejam pensando no mercado latino americano. Segundo o executivo, as empresas familiares brasileiras se assemelham muito às espanholas, com o detalhe de que têm mais dificuldades de financiar seu crescimento.

Déjà-vu

JAVIER LOIZAGA PRESIDENTE DO MERCAPITAL

"O boom do consumo, a ascensão da classe média, os investimentos: tudo isso vimos acontecer na Espanha três décadas atrás"

"Tínhamos tanto trabalho e tanta oportunidade no mercado doméstico que não sentimos a

necessidade de buscar negócios em outros países. Até chegar a crise"

"Agora, o futuro da Espanha e de Portugal está em encontrar parcerias em países emergentes"

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