Fundo gerido pela Caixa prepara operação de salvamento

Sócio da Energimp, geradora da Impsa, FI-FGTS quer aumentar fatia na empresa para tirar os argentinos do controle

ANDRÉ BORGES E MURILO RODRIGUES ALVES, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2015 | 02h04

O FI-FGTS, fundo de investimentos em infraestrutura que usa parte do FGTS e é gerido pela Caixa Econômica Federal, prepara uma operação de salvamento da Energimp, geradora de energia que é controlada pelo grupo argentino Impsa.

Há cinco anos, o FI-FGTS desembolsou R$ 500 milhões para ter 45% de participação na companhia de capital fechado, que tem parques eólicos no Ceará e em Santa Catarina. Segundo o último dado disponível, as ações do fundo na empresa somam R$ 523 milhões.

A entrada do fundo tinha o objetivo de dar fôlego para o ambicioso plano de investimentos do grupo argentino no Brasil. Com a derrocada da Impsa, que chegou a declarar calote à Comisión Nacional de Valores (CNV, equivalente à CVM), o FI-FGTS orquestra uma solução para tirar o controle acionário da Energimp das mãos dos argentinos e evitar a contaminação da empresa pela encrencada Wind Power Energia (WPE), a outra empresa do grupo por meio da qual a Impsa fez os investimentos na Energimp.

O Estado apurou que hoje o conselho de administração da Energimp vai votar se aprova um aumento de capital na companhia. A Impsa, que não pagou os seus credores, não terá condições de aportar mais recursos na empresa. O FI-FGTS já decidiu aumentar a participação na Energimp, que deve ganhar mais um investidor.

Segundo uma fonte a par das negociações, já está tudo certo para a entrada de uma empresa do setor que opera parques eólicos. Com os novos aportes do fundo e desse novo sócio, os argentinos - que são atualmente sócios majoritários - perderão o controle acionário para os dois outros sócios.

O plano pode ajudar a saldar as dívidas acumuladas pela companhia no Brasil, boa parte delas ligadas ao setor financeiro. O saldo negativo que a WPE reconhece junto aos bancos chega a R$ 684,7 milhões. Na lista de credores está o Banco do Brasil, com R$ 43,7 milhões a receber. O BB não quis comentar o assunto. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) tem dois contratos de financiamento WPE, os quais somam R$ 320 milhões. Deste valor, já foram liberados R$ 219 milhões. A Finep informou que interrompeu os repasses e que o saldo devedor em aberto com a WPE é de R$ 135,7 milhões, sendo que a maior parte está coberta por fiança bancária. O valor não coberto soma R$ 21 milhões e aguarda pagamento.

O BNDES tem nada menos que R$ 1,4 bilhão em financiamento de projetos nos quais a WPE participa como a principal fornecedora de equipamentos. O banco declarou que nem tudo foi desembolsado e que seus empréstimos estão suportados por outros agentes financeiros, como a Caixa.

O Estado apurou que, a exemplo de outros credores, o BNDES também interrompeu os financiamentos para esses projetos. Caberá à Impsa ainda dar um jeito em uma dívida de R$ 955 milhões ligados a títulos de dívida (bonds) emitidos fora do País.

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