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Fundo GWI é fechado após perda de 273%

A forte queda da bolsa já provocou estragos no mercado de fundos de investimento. Os nove fundos da gestora de recursos GWI Asset Managemet, conhecida pela atuação agressiva no mercado de ações e derivativos, foram fechados para aplicações e regastes até o dia 26. Um único fundo da GWI, o Private, perdeu 273,1% só no dia 10 e quebrou, ficando com patrimônio negativo de R$ 25 milhões, fato raro no mercado de fundos brasileiro.

Altamiro Silva Júnior e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2011 | 00h00

Os fundos da GWI são voltados apenas para investidores de alta renda, com aplicação mínima de R$ 250 mil. Outro fundo da gestora, o Leverage, acumula perda de 75% somente este mês, até o dia 10.

A gestora convocou os investidores ontem a fazer um novo aporte no Private. No dia 26 será feita uma assembleia extraordinária para decidir o futuro das aplicações. Pelo regulamento do Private, os cotistas são obrigados a fazer aportes adicionais caso o patrimônio fique negativo.

A carteira do Private tem cerca de 500 cotistas. No mês, o aplicação acumula perda de 114%. A carteira funciona alavancada por meio de operações no mercado a termo. Segundo a página do fundo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a carteira tem posições em papéis como Marfrig, Eletrobras, Brasil Telecom e Petrobrás. Com a queda da bolsa, a gestora teve que se desfazer das posições no mercado a termo. Isso fez com que os papéis da Marfrig acumulassem queda de 44% este mês.

O fundo Private começou o mês com patrimônio de R$ 163 milhões. Com a queda da bolsa, o valor caiu para R$ 1,9 milhão no dia 7 e agora está negativo em R$ 25,78 milhões. Em abril, o patrimônio da carteira atingiu um dos valores mais altos do ano, chegando a R$ 266 milhões.

O pedido de paralisação dos saques e aplicações foi feito pelo BNY Mellon, que administra os fundos da GWI. Por meio de sua assessoria de imprensa, o BNY informa que o fundo Private teve perdas sucessivas na sua carteira por conta da "recente volatilidade dos mercados globais, exposição no mercado de derivativos e concentração significativa em ativos de poucos emissores". A gestora não se pronunciou sobre a paralisação dos resgates e saques. Em nota, diz que continua operando normalmente.

A GWI é tocada pelo gestor coreano Mu Hak You. Na crise financeira de 2008 os fundos de ações do gestor também viraram pó, em meio a apostas em papéis das Lojas Americanas e B2W.

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