Iguá Saneamento
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Fundo IG4 fará proposta de R$ 1,7 bi para comprar dona do aeroporto de Guarulhos

Gestora de Paulo Mattos lidera grupo com investidores que pretende injetar capital na Invepar, diluir a participação dos atuais acionistas e assumir o controle da empresa, que também controla metrô do Rio

Mônica Scaramuzzo e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2019 | 05h00

O fundo IG4 Capital, especializado em empresas em dificuldades financeiras, deverá fazer proposta firme pela Invepar, holding de infraestrutura dona da concessão do aeroporto de Guarulhos e do metrô do Rio. A gestora, comandada por Paulo Mattos, ex-sócio da GP Investments, está sendo assessorada pelo Bradesco BBI. O ‘Estado’ apurou que o fundo avalia o melhor formato para assumir o negócio.

Fontes afirmaram que o IG4 está liderando um grupo com investidores estrangeiros para fazer uma injeção de R$ 1,7 bilhão na companhia. A ideia da gestora é diluir a participação dos atuais acionistas e assumir o controle da empresa. Os fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (da Caixa) são os principais sócios e detêm, juntos, 75,6% da Invepar. 

Colocada à venda em meio aos escândalos da Lava Jato, a Invepar tornou-se um negócio cobiçado por grandes fundos, como Mubadala e Brookfield, mas os problemas entre os acionistas afugentaram investidores. A CCR, empresa de concessões na área de transportes, também já negociou os ativos no passado, mas desistiu. A fatia que pertencia à empreiteira OAS está nas mãos dos bondholders (detentores de títulos) e do FI-FGTS. 

Ao Estado, o sócio-fundador do IG4, Paulo Mattos, diz que a gestora está interessada em expandir seus investimentos em infraestrutura. No entanto, Mattos não quis comentar sobre a operação da Invepar. Procurados, Petros, Funcef, Previ e Invepar também não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

Negócios no radar

Controladora da Iguá Saneamento (ex-Cab Ambiental), a gestora tem sob gestão hoje R$ 1,2 bilhão, resultado do investimento feito pelo primeiro fundo do IG4. O segundo, em fase de captação, já levantou US$ 200 milhões, mas pode chegar US$ 400 milhões até o fim do ano.

Uma parte já está investida na Opy Health – divisão de saúde do IG4. “Nosso interesse é adquirir a infraestrutura e logística hospitalar, sem participar da gestão”, disse Mattos. O fundo é dono do Hospital Novo Metropolitano, de Belo Horizonte, que pertencia à Andrade Gutierrez, com 440 leitos. Agora, está prestes a concluir a compra da unidade que pertencia à gigante de energia Abengoa, em Manaus. O hospital tem 380 leitos. “Outros seis negócios estão sendo avaliados.”

Fundado em 2016, o IG4 participou da reestruturação da Iguá, que pertencia ao grupo Galvão Engenharia e foi abatido pela Lava Jato. Esse caso tornou-se referência para a gestora de Mattos. Em outubro do ano passado, o fundo soberano Aimco, do Canadá, colocou R$ 400 milhões no negócio. Há dois meses, o fundo canadense comprou a participação do grupo Galvão por R$ 200 milhões e agora detém 49% da concessionária de saneamento. 

Sob gestão do IG4, a Iguá conseguiu melhorar seus indicadores: no ano passado, a receita líquida da empresa subiu quase 30%, de R$ 574 milhões para R$ 744 milhões e a geração de caixa subiu de R$ 212 milhões para cerca de R$ 255 milhões. “Gostamos de casos de reestruturação, mas não entramos como sócios de empresa familiar.” 

Viracopos

Outro grande negócio no qual o IG4 está envolvido é a compra do Aeroporto de Viracopos, também em recuperação judicial. Em parceria com a suíça Zurich Airport, que detém a concessão dos aeroportos de Florianópolis (SC) e de Confins (MG), o fundo já fez proposta para comprar a participação das duas acionistas do terminal, Triunfo Participações e Investimentos (TPI) e UTC. As duas empresas também foram envolvidas na Lava Jato.

Instituto 

Com o objetivo de contribuir para a universalização do saneamento básico no Brasil, a gestora IG4 – controladora da concessionária Iguá – criou um instituto para promover inovação e educação para o desenvolvimento sustentável no setor. O Instituto Iguá nasce com um orçamento de R$ 2 milhões, mas vai fazer captações com outros investidores para implementar alguns projetos importantes nos rincões do Brasil. “Por ora, só temos recursos da Iguá no Instituto, mas estamos em conversas com outros parceiros”, diz Renata Ruggiero Moraes, diretora-presidente do Instituto Iguá de Sustentabilidade.

O instituto já tem parceria com o Instituto Coca-Cola no programa Água mais Acesso, voltado à população carente. O projeto terá início em Alter do Chão (PA) e Manaus (AM). “O objetivo é levar água para comunidades rurais em todo o Brasil”, diz Renata. Segundo ela, hoje cerca de 20 milhões de pessoas de comunidades rurais afastadas não têm acesso ao serviço. “Há várias áreas no Brasil que não são atendidas por ninguém. Com inovação e tecnologia, vamos ajudar essas pessoas”, diz Paulo Mattos, sócio da IG4. 

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