Fundo imobiliário inicia emissão na Bovespa

O Fundo de Investimento Imobiliário Europar inicia nesta terça-feira a captação de cotistas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Trata-se do primeiro fundo imobiliário brasileiro a ser comercializado em bolsa. Seu foco serão os pequenos e médios investidores físicos e a aplicação mínima exigida será de R$ 10 mil, equivalentes a 100 cotas do fundo, com valor unitário de R$ 100.A rentabilidade estimada é de 1% ao mês, já descontada a taxa de administração, mas antes da incidência do Imposto de Renda. A taxa de administração será de 2% da receita do fundo ou R$ 10 mil rateados mensalmente entre os cotistas. Para a cobrança, será considerado o maior dos valores. "Será o fundo imobiliário com a menor taxa de administração do mercado", afirmou o consultor de Fundos Imobiliários da Coinvalores, Sérgio Belleza Filho.A Coinvalores lidera a emissão das cotas, cuja colocação contará com um pool de corretoras de valores: Coinvalores, Concórdia, Souza Barros, Magliano, Socopa, Spinelli e Theca. A consultoria imobiliária Fernandez Mera prestará assessoria comercial ao grupo. O agente depositário será o Banco Itaú.LastrosO fundo emitirá um total de R$ 44 milhões em cotas. Cerca de R$ 35 milhões serão aplicados na aquisição dos imóveis que lastrearão os papéis. O restante será deixado em fundos de renda fixa, sendo desembolsado pelos administradores na aquisição posterior de outros imóveis para ampliar o lastro do fundo.Os seis imóveis que compõem a carteira do Europar foram incorporados pelo grupo português Tiner, por meio da Tiner Empreendimentos Imobiliários, e construídos pela Marson Star. A carteira será composta por uma torre de testes de elevadores da Atlas Schindler, considerada a maior da América Latina e instalada na capital paulista.O fundo contará também com dois centros de operação e logística no Rio de Janeiro. O primeiro, com 2.011 m², está locado para a Federal Express, que utiliza o local para serviços de postagem, seleção e distribuição de correspondência. O segundo imóvel está locado para o Grupo Cesa e é usado como centro de armazenagem e distribuição, com 4.409 m².Os outros imóveis que comporão o fundo estão instalados no quilômetro 17 da Rodovia Anhangüera, próximo ao Rodoanel Mário Covas, em São Paulo. Os centros estão ocupados para as empresas AVS, Expresso Mercúrio e Belt Logistics.PulverizaçãoAlém da cotação na Bovespa, há a pulverização da carteira por vários imóveis. "A diversificação da carteira é um fator de segurança dos investidores", disse Belleza.A abrangência geográfica também permitirá a expansão da carteira, ao adquirir imóveis nas imediações onde os centros de distribuição e a torre de elevadores estão instalados. Com isso, os criadores do fundo esperam elevar a rentabilidade dos cotistas.O presidente do Conselho de Administração do Grupo Tiner, Antônio Varella, disse que os contratos de locação dos galpões têm prazo de cinco a dez anos e correção anual pelo IGP-M. A correção dos contratos, conforme Varella, já garantirá o aumento da remuneração dos cotistas.De acordo com Sérgio Belleza, o fundo não terá garantia de recompra, segundo apurou o jornalista Fernando Bittencourt. "O fundo está na Bolsa, e não há garantia de recompra para nenhum papel da Bolsa", informou. Ele também disse que o único imóvel que ainda não está alugado representa 5% do fundo. "O retorno do investimento se deve ao aluguel de todos esses imóveis."TransparênciaOs fundos imobiliários foram criados em 1993 pelo governo federal. Desde então, foram constituídos 60 fundo no País, cujo patrimônio líquido soma R$ 1,5 bilhão. Durante sete anos, o produto era voltado para investidores institucionais, como fundos de pensão, capazes de aplicar milhares de reais em cada emissão. Os fundos para varejo, voltados para os pequenos e médios investidores físicos, surgiram em 2000.Para Belleza, a entrada do Fundo Europar na Bovespa assinala uma nova etapa do produto no País. Nos EUA, por exemplo, há 300 fundos imobiliários, com patrimônio de US$ 300 bilhões. Cerca de 70% da cifra pertence a fundos listados em bolsas de valores, sobretudo a de Nova York. "Os negócios do fundo na Bovespa serão um termômetro para o investidor, que terá mais transparência nas operações", disse.A transparência servirá, inclusive, para proteger as cotas imobiliárias em momentos de volatilidade do mercado de capitais, conforme o consultor da Coinvalores. "É um papel lastreado em imóveis e com distribuição freqüente de dividendos", explica. "Isso reduz a volatilidade", resume.O presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, concorda. "Sentimos uma mudança na percepção dos pequenos investidores em relação à bolsa", disse. "Hoje, os trabalhadores são grandes demandantes de ações", ressaltou. Os empresários participaram hoje do lançamento do Fundo Europar na Bovespa.

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