''''Fundo não mexerá no câmbio''''

Presidente do BNDES diz que meta é financiar empresas do País no exterior

Célia Froufe, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, negou ontem que o Fundo Soberano de Investimento, que vem sendo estudado pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central (BC), acabe sendo um instrumento de interferência no mercado cambial brasileiro."Não há risco de duplicidade no mercado de câmbio e não há intenção de pressionar adicionalmente esse mercado", enfatizou, momentos antes de iniciar palestra no 12º Encontro Anual da Indústria Química, realizado pela Abiquim, em São Paulo.Coutinho explicou que não há a intenção de que os recursos, eventualmente obtidos pelo BNDES por meio do Fundo, sejam convertidos em aplicações nas empresas no Brasil. De acordo com ele, se tiver acesso ao Fundo, sua verba será direcionada à internacionalização das empresas brasileiras. "Serão apenas para operações no exterior", comentou, explicando que o BNDES tem necessidade de funding em moeda estrangeira.O presidente do BNDES disse também que, inicialmente, está prevista uma verba de aproximadamente US$ 5 bilhões para esse trabalho, mas que, no futuro, este montante poderá crescer para algo mais perto de US$ 10 bilhões. "Não estamos sendo gulosos, mas espelhamos o momento favorável para o Brasil", considerou. O presidente do banco de fomento brasileiro ressaltou também que é melhor para o País que o BNDES busque recursos adicionais para atender à demanda das empresas que buscam crescer e investir do que simplesmente racionar o crédito existente.O dinheiro a ser obtido pelo BNDES terá como destino, segundo Coutinho, empresas de uma nova geração, "da segunda divisão", já que as empresas que já passaram pelo processo de internacionalização conseguem obter financiamento diretamente no mercado."Mas se isso virá do fundo ou do Tesouro é algo em discussão", afirmou, destacando que essa elaboração cabe exclusivamente à Fazenda e ao Banco Central. Ele salientou que o financiamento de empresas brasileiras no exterior poderia produzir recursos para o banco e, conseqüentemente, isso poderia remunerar o Tesouro de forma mais lucrativa do que por meio da aquisição de títulos públicos americanos.Coutinho enumerou também o desempenho positivo recente da economia brasileira, mesmo tendo como cenário um estresse no mercado financeiro internacional. "A economia brasileira está em ascensão e demanda esforços extras do BNDES", observou o economista. Ele mencionou que o banco possui R$ 90 bilhões em estoques de projeto ao mesmo tempo em que o desembolso está crescendo.CENÁRIOO presidente do BNDES previu, ainda, que o total de investimentos da economia brasileira atingirá R$ 1,034 trilhão no quadriênio 2007-2010. O montante, de acordo com ele, foi calculado com base em um "painel", que corresponde a 45% do total da Formação Bruta de Capital Fixo do País (FBCF), que foi responsável por investimentos de R$ 639 bilhões de 2002 a 2005.Para o quadriênio de 2008 a 2011, é esperada uma elevação de 15,26% ao ano em relação ao período anterior, com a expectativa de investimentos de R$ 1,191 trilhão.Especificamente em relação ao setor industrial, a expectativa é de que haja um avanço de R$ 249,5 bilhões no intervalo entre 2003 a 2006 para R$ 447 bilhões de 2008 a 2011. Neste contexto, de acordo com Coutinho, a indústria petroquímica é a que apresentará maior crescimento ao ano, de 36,8%.Ele acredita que o total investido passará de R$ 5,7 bilhões de 2003 a 2006 para R$ 27,4 bilhões de 2008 a 2011. O setor que mais injetará recursos por meio de investimentos na economia, no entanto, seguirá com petróleo e gás, que aplicou R$ 126,3 bilhões de 2003 a 2006 e deve alcançar um total de R$ 202,8 bilhões de 2008 a 2011.

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