Fundo não será ?cliente cativo? do governo, diz BBDTVM

A indústria de fundos de investimentos, que administra recursos de R$ 450 bilhões, não será "cliente cativo" do governo nos projetos de infra-estrutura. Quem afirma é o presidente da distribuidora de títulos do Banco do Brasil, BBDTVM, Nelson Rocha Augusto, também vice-presidente da Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid)."Não vou botar um centavo em coisa alguma que não tenha retorno adequado aos meus cotistas", afirma, categoricamente Augusto, que foi braço direito do atual ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na prefeitura de Ribeirão Preto. O economista ocupava, então, a secretaria municipal de Planejamento.O presidente da BBDTVM acredita que o desenho de financiamento de projetos em estudos pelo governo deve mesmo ser o lançamento de papéis específicos para cada empreendimento ou a modalidade "project finance", tendo o Tesouro como garantidor do risco de crédito. "No mundo inteiro, quem dá funding aos projetos é a indústria de fundos, não os bancos." Mas, alerta: "o governo não terá cliente cativo".Ele esclarece, também, que apenas os bancos de investimentos, instituições autorizadas a fazer emissão de papéis de dívidas, como debêntures, por exemplo, devem participar desta parte do processo. No caso do Banco do Brasil, o lançamento de papéis é tarefa do BBI, banco de investimentos da holding.Os gestores de recursos (como os fundos de pensão) e as distribuidoras de títulos (como a BBDTVM) atuariam apenas comprando os papéis. Mas, mesmo neste caso, cada instituição fará a sua avaliação sobre a rentabilidade do investimento para eleger os projetos com melhor relação entre risco e retorno financeiro, como deixa claro Augusto.Incertezas"Qual a taxa de retorno desses projetos? Não se sabe nem ainda que projetos são esses. No mundo inteiro, quem dá funding para os investimentos é a indústria de fundos, não os bancos. Mas, o capital é a coisa mais covarde que existe: só financia o que dá retorno. Por isso, não será a indústria de fundos a financiadora do projeto de desenvolvimento do governo", afirma.Com a experiência de ter sido um dos idealizadores do Banco Votorantim, braço de investimentos da holding do empresário Antonio Ermírio de Moraes, e de ter sido proprietário de um banco comercial em Ribeirão Preto, Nelson Augusto diz que não faltarão recursos privados para projetos rentáveis. Os que forem classificados mais pelo cunho social, porém, terão de ser financiados pelo próprio governo."Onde houver bons projetos, terá dinheiro em abundância. Mas não adianta o governo tentar forçar nada porque não vai dar certo", declara. À BBDTV cabe cerca de 19% do bolo de recursos administrados pelos fundos. Isto representa, hoje, R$ 85 bilhões, o que faz da distribuidora de valores a maior instituição do gênero na América Latina. ComposiçãoDos recursos administrados pela indústria de fundos, 80% carregam dívida pública e menos de 10% giram em participações acionárias em empresas. Nelson Augusto acredita que quando a taxa nominal de juros for reduzida a patamares entre 15% e 10%, "os projetos vão começar a sair da gaveta". Mas, a pré-condição para os investimentos continua sendo o equilíbrio macroeconômico. "O crescimento é um processo determinado ao longo do tempo. As condições para este equilíbrio já estão sendo criadas e podemos dizer que já estamos entrando neste processo", diz Augusto.

Agencia Estado,

14 de agosto de 2003 | 19h46

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