Wilton Junior/AE-4/12/2006
Wilton Junior/AE-4/12/2006

Fundo Prosperitas paga R$ 2,2 bilhões por 30 imóveis do grupo Bracor

Acordo anunciado ontem é o maior já fechado no mercado imobiliário brasileiro; com a negociação, a Bracor, que tem entre seus acionistas o bilionário americano Sam Zell e a família real de Abu Dhabi, fica com um portfólio de apenas 12 imóveis

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

O fundo de investimentos Prosperitas desembolsou R$ 2,2 bilhões para comprar parte do portfólio da Bracor, empresa especializada em imóveis comerciais e industriais, que tem entre seus principais acionistas o mega investidor americano Sam Zell. O valor é recorde e faz do negócio a maior transação imobiliária já realizada no País.

A Bracor se desfez de 30 dos 42 ativos que mantinha em carteira. Os empreendimentos - a maioria galpões e centros logísticos - têm como inquilinos companhias como Ambev, Petrobrás e Ponto Frio. O contrato médio de locação é de dez anos e a receita desses imóveis chega a R$ 230 milhões por ano. O valor desembolsado pela Prosperitas diz respeito apenas aos ativos adquiridos e não inclui dívidas.

"Em cinco anos, não tivemos qualquer tipo de monetização", diz o presidente da Bracor, Carlos Betancourt, para justificar que esse não é o fim da empresa criada por ele e Sam Zell em 2005. "É um processo natural de realização de resultado."

As negociações começaram em novembro, depois de uma experiência frustrada da Bracor com a criação de um fundo imobiliário, que pretendia levantar R$ 262 milhões. A intenção já era a de se desfazer de parte dos ativos nessa operação mas, segundo fontes de mercado, não houve interesse dos investidores.

Os planos de venda da Bracor encontraram o caixa parrudo da Prosperitas, que havia acabado de captar R$ 600 milhões com investidores. "O negócio foi feito praticamente à vista", disse Luciano Lewandowski, um dos sócios controladores do fundo. Sem dar detalhes da compra, ele disse que a transação foi feita com recursos próprios, do Bradesco e de investidores internacionais. Entre os clientes da Prosperitas estão nomes de peso, como o Estado de Washington e a Universidade Harvard.

A aquisição praticamente dobra a área de galpões industriais da Prosperitas, que passará a ser de 1,5 milhão de m² de área construída e outros 500 mil m² em desenvolvimento. "Somos agora o maior player do País nesse mercado", disse Lewandowski. "Como o portfólio das duas empresas é complementar, conseguimos ampliar nossa presença para regiões em que não estávamos, como o Nordeste."

Em dezembro, o fundo já havia comprado também 78% de participação na empresa de loteamento Cipasa. "E temos poder de fogo para continuar com as aquisições", disse Lewandowski. Segundo ele, a Prosperitas ainda tem US$ 300 milhões para investir em shoppings, galpões e loteamentos.

Os próximos passos da Bracor não foram revelados. Betancourt continua na presidência e os acionistas são os mesmos: Equity International, de Sam Zell, a família real de Abu Dhabi, Morgan Stanley, o grupo Olayan, da Arábia Saudita e a seguradora Berkley. "Estamos definindo a atuação em outras áreas."

O executivo de uma das empresas concorrentes da Bracor, no entanto, acredita que a empresa deve vender em breve os 12 imóveis que restaram em sua carteira e fechar as portas. "Não faz sentido continuar com tão pouco. Vai ser difícil diluir o custo fixo e a margem vai cair porque não tem escala."

ACORDOS BILIONÁRIOS

Dezembro de 2007

A Brascan, hoje Brookfield Brasil, pagou R$ 1,5 bilhão pela participação de Paulo Malzoni, do grupo Malzoni, nos shoppings Paulista (70%), West Plaza (50%), Pátio Higienópolis (40%), Botafogo Praia Shopping (40%) e Vila Olímpia (33%)

Agosto de 2008

A WTorre concluiu a venda da Torre São Paulo para o Grupo Santander, por R$ 1,06 bilhão. O prédio de 28 andares e 82 mil metros quadrados passou a ser a nova sede do banco no País.

Novembro de 2010

A WTorre começou a negociação do futuro edifício da Petrobrás, no Rio de Janeiro, por R$ 1,2 bilhão. A empresa criou um fundo de investimento imobiliário (FII) para vender cotas no mercado. A Petrobrás é a única locatária até 2029, pagando aluguéis de R$ 100 milhões ao ano.

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