Fundo quer impulsionar mercado de pet shops

Warburg Pincus compra 50% do Pet Center Marginal com ideia de formar rede nacional

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2013 | 02h07

O fundo Warburg Pincus acaba de comprar o controle do Pet Center Marginal, em uma operação que marca a entrada de companhias de private equity - que compram participações em empresas - no varejo de produtos para animais no Brasil. Com a chegada do fundo, a varejista pretende acelerar seu plano de expansão. A meta é mais do que triplicar de tamanho em cinco anos e formar uma rede de 100 lojas.

A negociação entre o fundador da empresa, Sergio Zimerman, e o Warburg Pincus, comandado no Brasil pelo ex-presidente mundial da Alcoa, o brasileiro Alain Belda, durou dois anos. O negócio foi disputado por outros fundos, como BTG Pactual, Carlyle, Advent, Pátria e Neo Investimentos.

"O que pesou na escolha do sócio não foi o preço. Foi o melhor 'fit' de pensamento", disse Zimerman, que diz ter sido procurado por "pelo menos 15" fundos e não revela o valor da venda. "Vendi para acelerar o crescimento da empresa."

Procurado, o Warburg Pincus não deu entrevista. Em comunicado, o fundo disse que a aquisição é "um exemplo da abordagem de investimentos focado em crescimento do Warburg Pincus".

Hoje, o Pet Center Marginal é líder de mercado e pretende fechar o ano com 27 lojas e faturamento de R$ 250 milhões. A empresa deverá fechar 2013 com crescimento de 47% em sua receita total; consideradas só as lojas abertas há mais de um ano, o avanço ficará em 12%.

Os recursos da venda da empresa serão aportados na própria companhia e usados principalmente para transformar o Pet Center Marginal em uma rede nacional - hoje tem unidades em São Paulo, Rio, Brasília e Goiânia.

Cada loja requer pelo menos 1.000 metros quadrados de área e exige investimentos entre R$ 2,5 milhões e R$ 4 milhões, estima o diretor de marketing, expansão e novos negócios do Pet Center Marginal, Hélio Freddi Filho. Isso significa que elevar o número de lojas de 27 para 100 pode exigir investimentos de até R$ 290 milhões.

Em alta. O apetite dos fundos pela empresa se explica por ela ser uma das poucas redes em um mercado com grande potencial de crescimento, explica Luiz Goes, sócio responsável pela área de inteligência de mercado da GS&MD. "É um mercado extremamente desconcentrado. As vendas das cinco maiores empresas representam menos de 5% do total do setor."

A comparação entre as líderes no mercado brasileiro e americano mostra o quanto o cenário do segmento pode mudar por aqui. O Pet Center Marginal e a Cobasi encerrarão 2013 com 49 lojas, contra nada menos que 2,5 mil lojas das redes PetSmart e Petco, dos EUA.

"Existem muitas oportunidades no Brasil. Os fundos têm apetite por esse mercado, mas são poucas as alternativas para aquisições", diz Goes. Segundo ele, há espaço para o desenvolvimento de franquias, formação de redes regionais e até construção de uma marca do zero.

O Warburg Pincus passa a deter 50,01% do capital do Pet Center Marginal e o restante permanece com a família Zimerman. O fundador seguirá na presidência da empresa, mas estão previstas mudanças de gestão. A companhia criará um conselho de administração e já começou a contratar novos executivos, vindos de empresas como Starbucks e Brasil Pharma.

Marca. O Pet Center Marginal contratou também a consultoria FutureBrand para avaliar sua marca e o formato das lojas. "Queremos entender se a nossa marca faz sentido para atuar no Brasil todo ou se precisaremos fazer ajustes", disse o diretor de marketing.

O nome foi criado para batizar uma única loja, aberta na Marginal Tietê, na zona norte de São Paulo, em 2002. Foi a alternativa que Zimerman encontrou para substituir um outro negócio - um atacado de perfumaria - que não ia bem.

Antes de decidir pelo pet shop, o empresário chegou a analisar a possibilidade de abrir uma loja de perfumes e pensou em entrar no varejo de brinquedos. "Naquela época, só a Cobasi tinha megalojas nesse segmento. E eles não tinham unidades na zona norte de São Paulo. Era uma oportunidade", lembra Zimerman.

As megastores ainda são minoria nesse nicho do varejo no Brasil, mas já revolucionam a oferta de produtos e serviços. Além de itens essenciais, como rações, coleiras e produtos veterinários, elas passaram a oferecer mimos para os animais.

Luxo. Produtos até então exclusivos para humanos foram adaptados para atender os animais de estimação. Há sorvete, panetone e até cerveja para cachorro - que agora também tem produtos de luxo (leia abaixo).

Com todas essas novidades, o mercado de produtos e serviços para animais de estimação deve movimentar R$ 15,5 bilhões neste ano, um crescimento de 9,2% em relação a 2012, segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

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