Fundo soberano chinês pretende comprar dívida do Brasil

Secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, afirma que chineses têm interesse nos bônus atrelados à inflação

Nathália Ferreira, da Agência Estado,

23 de setembro de 2009 | 09h34

O fundo soberano da China está interessado em comprar títulos de dívida emitidos pelo governo brasileiro domesticamente, uma vez que a elevação do rating do Brasil aumentou o interesse de investidores estrangeiros, afirmou o secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, em entrevista à agência Dow Jones.

 

Valle, que participa do fórum de investimento China-América Latina, em Pequim, disse que se reuniu com autoridades do China Investment Corp. (CIC) para discutir a questão. Segundo ele, as autoridades com quem conversou demonstraram interesse particular em bônus atrelados à inflação denominados em real, mas nenhum acordo concreto foi fechado.

 

"Nós apenas fizemos o primeiro contato. Mas eu acredito que há um bom espaço para melhorar nosso relacionamento com o fundo soberano da China", afirmou Valle.

 

O CIC não estava imediatamente disponível para comentar. O fundo soberano, que possuía US$ 297,54 bilhões em ativos totais no final do ano passado, vem rapidamente diversificando seu portfólio externo nos últimos meses, à medida que a recuperação nos mercados globais cria novas oportunidades de investimento.

 

A decisão da Moody's Investors Service esta semana de elevar o rating do Brasil para grau de investimento, colocando a nota em linha com a classificação do país pelas agências Standard & Poor's e Fitch, ajudará a abrir mais os mercados brasileiros para investidores estrangeiros, disse Valle. A Moody's citou a curta recessão do país e o sistema bancário estável na avaliação.

 

Os bônus de renda fixa de longo prazo denominados em real também têm atraído interesse dos investidores estrangeiros, afirmou Valle. Segundo ele, o Brasil não colocará restrições no investimento de fundos soberanos estrangeiros no país, já que esses investidores ajudam a impulsionar a liquidez do mercado local.

 

Valle disse que diversos fundos soberanos estrangeiros já participaram do mercado local de dívida e o governo também busca atrair investidores em países e regiões incluindo Cingapura e Hong Kong. O investimento externo representa menos de 7% do mercado de dívida doméstico, deixando bastante espaço para novos investimentos.

 

Questionado se a elevação do rating vai encorajar o Brasil a oferecer novos bônus soberanos, Valle afirmou que a estratégia de gestão de dívida que vem sendo adotada desde 2006 continuará e o governo vai assegurar que o mercado continue a ter referências. Ele não deu detalhes.

 

Sobre as reservas internacionais, que superaram US$ 220 bilhões recentemente, Valle disse que o governo não estabelecerá nenhum teto para elas. Embora o Banco Central se esforce para evitar volatilidade na moeda local, "nós não teremos meta em termos de tamanho de reservas internacionais ou nível de câmbio", afirmou. As informações são da Dow Jones.

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