Fundo soberano deve alterar pouco a atuação do Tesouro

Segundo secretário, Tesouro já compra dólares do mercado internacional para pagar dívida do País

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

07 de maio de 2008 | 12h18

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse nesta quarta-feira, 7, que a atuação do Tesouro Nacional não deve mudar significativamente para comprar dólares no mercado internacional com o objetivo de compor o fundo soberano, a ser criado pelo governo. "Hoje o Tesouro já compra do mercado para fazer pagamento de dívida. É uma questão que não muda significativamente", afirmou o secretário. Veja também: Entenda o que é fundo soberanoNa elite do mercado mundial Augustin, que esteve pela manhã na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara para uma reunião mensal, disse, no entanto, que preferia não explicar a atuação do Tesouro nesse processo, porque ainda está finalizando os detalhes técnicos. O secretário também não revelou valores sobre a composição do fundo, mas ao ser confrontado com a informação de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria afirmado que o fundo teria até US$ 20 bilhões, Augustin respondeu apenas que "o que o ministro definiu é a posição do governo". Segundo ele, a criação do fundo soberano é uma tendência internacional de vários países, porque esse mecanismo vem aumentando a sua importância na organização para o investimento. "A participação dos fundos soberanos no mercado financeiro internacional vem crescendo muito. O Brasil está estudando a melhor forma de inserção dele nessa nova situação internacional", afirmou Augustin. Além disso, ressaltou, a decisão de criar o fundo soberano também decorre da nova situação do Brasil em termos de fundamentos econômicos. Ele lembrou que o País teve resultado nominal positivo das contas públicas no primeiro trimestre de 2008, pela primeira vez na série histórica, e disse que a situação das reservas internacionais é favorável. "É um conjunto de elementos fortes que levou ao grau de investimento", disse o secretário. Moody's Augustin minimizou ainda o relatório anual da Moody's apontando a necessidade de fortalecimento das finanças públicas e a melhoria do perfil da dívida como fatores necessários ao grau de investimento do Brasil. "O Brasil respeita os critérios que cada agência de classificação de risco usa na avaliação de dar ou não upgrade ao País", declarou, lembrando que a própria Moody's' fez um upgrade na classificação de risco do Brasil no segundo semestre de 2007, em plena crise dos mercados financeiros internacionais. Segundo Augustin, todas as agências de classificação de risco têm agido para melhorar a classificação do Brasil. O secretário do Tesouro Nacional enfatizou que o país tem melhorado muito a situação fiscal e o gerenciamento da dívida vem apresentando resultados positivos, com redução da dívida externa, prazo médio maior de vencimento do endividamento total e aumento da participação dos papéis pré-fixados na composição da dívida interna.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.