Fundo soberano do Catar terá 5% do Santander no Brasil

Empresa anunciou que vai subscrever bônus emitidos pelo banco espanhol num valor total de US$ 2,719 bilhões

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

O Banco Santander anunciou ontem uma intrincada operação financeira que, na prática, implicará a compra de 5% de sua filial brasileira pela Catar Holding, um dos braços do fundo soberano do Emirado. A empresa vai subscrever bônus emitidos pelo banco espanhol num valor total de US$ 2,719 bilhões. Daqui a três anos, esses títulos serão convertidos em ações do Santander Brasil.

O banco não comentou o negócio, nem aqui nem na Espanha. A informação foi divulgada por meio de um comunicado ao mercado. "Este investimento supõe a incorporação da Catar Holding como sócia estratégica do Grupo Santander", diz o texto. "A Catar Holding designará um representante no conselho de administração do Banco Santander Brasil."

Os bônus comprados pela autoridade do Catar vão pagar juros anuais de 6,75%. O montante investido será convertido em ações no valor de R$ 23,50 por papel. Ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a ação do banco fechou em queda de 1,41%, cotada a R$ 24,53.

O Santander informou também que a operação o ajudará a cumprir um compromisso com a BM&FBovespa de elevar o chamado free float para 25% do total de ações até o fim de 2014. Free float é a quantidade de papéis em circulação no mercado financeiro. Hoje, esse porcentual está próximo de 16,5%. Pelas regras do Novo Mercado, segmento da Bolsa do qual o Santander faz parte, é preciso ter 25%.

Equilíbrio. "Faz sentido que o Santander queira melhorar seu balanço, tendo em conta que as últimas operações de compra consumiram bastante capital", disse Nuria Alvarez, analista da Renta 4. "Isso, porém, só será visto dentro de três anos, e por isso considero que o sentido estratégico da operação vem mais pelo lado da obtenção de recursos necessários para o banco continuar se expandindo no Brasil."

O Santander é o maior banco da zona do euro em termos de capitalização, e o quarto maior do mundo em lucros. É também o principal grupo financeiro da Espanha e da América Latina.

No primeiro trimestre, o Brasil foi responsável por 21% dos lucros do Santander (recorde de 603 milhões), com um aumento de 38% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Nesse período, o grupo registrou um lucro de 2,215 bilhões (US$ 2,922 bilhões de dólares, um aumento de 5,7% na mesma comparação). / COM AGÊNCIAS

PARA LEMBRAR

Há um ano, o Banco Santander arrecadou R$ 14,1 bilhões com a maior oferta inicial de ações (IPO) da história do mercado financeiro brasileiro. O preço por unidade do papel da subsidiária brasileira do conglomerado espanhol saiu por R$ 23,50, exatamente no centro da meta estabelecida, de R$ 22 a R$ 25.

A forte arrecadação - que, ainda assim, ficou abaixo do "teto" de R$ 15,6 bilhões - foi desenhada tendo em vista o forte apetite de estrangeiros por IPOs de companhias brasileiras. Antes do recorde estabelecido pelo Santander, a maior operação de estreia no mercado acionário nacional havia sido a da credenciadora de cartões VisaNet (atual Cielo), de R$ 8,4 bilhões, em junho do ano passado.

A arrecadação do IPO do Santander Brasil ficou próxima de US$ 8 bilhões. Segundo rankings de consultorias financeiras, a operação liderou o ranking mundial de lançamentos de ações em 2009.

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