Fundo Soberano terá 3% da Petrobras

O Fundo Soberano do Brasil (FSB) terá 3% da Petrobras após a conclusão do processo de capitalização da estatal. A informação consta do prospecto definitivo da oferta, divulgado na tarde de terça-feira, no qual a companhia diz que o FSB ficará com 386 milhões de ações da nova emissão. O uso do fundo é uma das estratégias do governo para ampliar sua participação na empresa para 48%.

AE, Agencia Estado

26 de setembro de 2010 | 08h20

O prospecto não indica qual será o investimento feito pelo FSB, que foi criado para investimentos estratégicos com o objetivo de proteger o Brasil de crises econômicas no futuro. De acordo com o preço das ações ofertadas, porém, pode-se calcular um aporte entre R$ 10,1 bilhões e R$ 11,4 bilhões, dependendo da classe de ações comprada pelo fundo. Em agosto, o FSB tinha R$ 17,92 bilhões em caixa.

O governo não especificou também se a compra será feita em dinheiro ou por meio da transferência de ações do Tesouro ou entidades ligadas a ele. A possibilidade de transferência foi aberta por decreto publicado no início do mês, que garante ao governo liberdade para gerir a exposição em ações de diversas instituições federais.

BNDES

Além do FSB, o governo está usando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ampliar sua fatia na estatal. Segundo as projeções feitas pelo prospecto, o banco de fomento sairá da oferta com uma fatia de 11,8% da companhia, contra os 7,6% vigentes antes da capitalização. Parte desse aumento é consequência de uma capitalização feita no fim de agosto pela União, com transferência de ações da estatal ao banco, aumentando sua fatia para 9,25%.

A maior exposição a ações da Petrobras garante ao BNDES margem para conceder financiamentos a projetos considerados prioritários pelo governo - como a usina de Belo Monte - uma vez que os papéis ampliam o patrimônio de referência do banco. Pelo balanço do primeiro semestre, esse patrimônio está em R$ 58,2 bilhões. Significa que o empréstimo do banco a um único projeto limitava-se a R$ 14,5 bilhões, segundo o Acordo de Basileia, que tem o objetivo de reduzir os riscos de inadimplência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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