ara Morselli/ESTADÃO
ara Morselli/ESTADÃO

Fundo Verde, de Stuhlberger: 'É mais barato comprar vacinas do que fazer mais gastos fiscais'

Carta mensal a acionistas de um dos fundos mais famosos do País cita que opção política terá consequências tanto em função de vidas perdidas quanto em termos econômicos

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2021 | 17h48

O governo brasileiro falhou “miseravelmente” na compra de vacinas para imunizar a população e o custo dessa decisão será alto para o País, tanto em relação às vidas que serão perdidas quanto em termos econômicos, afirma carta do fundo Verde, do gestor Luis Stuhlberger, a cotistas. O fundo é um dos mais famosos do País por sua rentabilidade. “É inacreditavelmente mais barato comprar vacinas do que fazer mais gastos fiscais – que vem com endividamento, mais inflação, juros mais altos, etc”, reforça o documento.

Em uma clara crítica ao governo de Jair Bolsonaro, a carta afirma que a opção política por não adquirir vacinas com a celeridade necessária abriu espaço para a segunda onda da pandemia, marcada pelas novas variantes do vírus. “O governo falhou miseravelmente em adquirir as vacinas da Pfizer, Moderna, Johnson & Johnson; só agora, no auge da segunda onda, está buscando fechar as compras”, frisa a carta da gestora, que traz uma percepção mais pessimista em relação ao ambiente doméstico. 

O documento cita ainda que a recente discussão sobre um novo pagamento de auxílio emergencial e abertura de espaço no teto de gastos para o Bolsa Família “representam um potencial tiro mortal no arcabouço fiscal brasileiro, que trouxe inúmeros benefícios, especialmente ao possibilitar que o país tenha uma taxa de juro mais civilizada.”

A carta destaca também que o brasileiro, cansado do isolamento, tem frequentado clássicos eventos que são transmissores do vírus, tal como festas e bares. “Não é à toa que a aceleração da contaminação se dá após festas de fim de ano e Carnaval”, destaca.

Esses pontos, segundo o documento, explicam em grande parte o desempenho do fundo, com perdas em ações brasileiras e com ganhos vindos de posições tomadas em taxas de juros longas na Europa e Estados Unidos, posição em bolsa global, além de posição comprada em dólar. “A desvalorização acentuada do real é a métrica mais óbvia das consequências, em termos de empobrecimento do país, das escolhas acima. Os outros ativos brasileiros também sentem os efeitos do aumento do prêmio de risco”, aponta a gestora aos cotistas.

O fundo Verde teve perdas nas posições em ações brasileiras, e em menor medida na posição aplicada em juro real. Os ganhos vieram de posições tomadas em taxas de juros longas na Europa e nos EUA, além da posição em bolsa global e da posição comprada em dólar. O fundo teve uma queda de 0,24% em fevereiro, ao passo que o CDI ganhou 0,13% no mês. No ano a valorização do fundo foi de 0,43%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.