Fundos acusam Telemig de gastar com aviões

A briga entre os fundos de pensão e o Opportunity no comando de empresas de telefonia já chegou à Securities and Exchange Comission (SEC), órgão que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos. As fundações Previ, Petros e Telos encaminharam uma reclamação à entidade, com cópia para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No documento, elas alegam que a direção da Telemig Celular e da Amazônia Celular se negam a abrir informações sobre os custos com o consórcio Voa, uma empresa criada pelas operadoras em conjunto com a Brasil Telecom e o fundo CVC Opportunity para fazer o transporte aéreo de seus executivos.O Voa foi criado em dezembro de 1998 e comprou três aviões. As fundações eram contra a formação do consórcio, mas foram voto vencido pelos outros sócios - Opportunity, a canadense TIW e a fundação Sistel.A gerente de participações da Petros, Leda Hahn, afirmou que a maior parte dos trajetos feitos pelos executivos das celulares fica em rotas comerciais, e seria mais econômico pagar as passagens do que manter o Voa. "Além do leasing das aeronaves, paga-se também as despesas de conservação." A diretoria da Telemig Celular e da Amazônia Celular não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta edição.Segundo a Petros, em 2001 o custo do consórcio girou em torno de R$ 14 milhões, e a Telemig Celular e a Amazônia Celular pagaram R$ 4,2 milhões. "Essa é uma despesa injustificada para as companhias." A grande reclamação dos fundos hoje é não ter informações suficientes sobre o consórcio. "As empresas não abrem quem são os executivos que usaram o transporte, quais foram as rotas feitas e em que datas", afirmou. "Eles alegam não ter registro de nada." Outra discussão revelada aos órgãos reguladores foi o fato de o presidente das operadoras celulares, Antônio José Ribeiro dos Santos, ter pago adiantado todas as despesas anuais das companhias com transporte aéreo ao Voa já em março."Ele alegou fazer isso para otimizar a administração financeira do consórcio. Mas quem tem de cuidar disso é a direção do Voa, e não a Telemig Celular." O consórcio tem a seguinte composição: 70% da Brasil Telecom, 26,7% da Telemig Celular e Amazônia Celular e 3,3% do CVC Opportunity. Apesar de ter a menor participação no Voa, o grupo do empresário Daniel Dantas seria o que mais tem aproveitado as vantagens do consórcio, segundo as fundações. O empresário teria utilizado o aviação do Voa inclusive para tratar de uma ação contra ele nas Ilhas Cayman este ano.

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