Fundos anunciam dez nomes para compor conselho da BRF

Petros e Previ querem a realização de uma assembleia para destituir o atual colegiado, que é liderado por Abilio Diniz

Mônica Scaramuzzo e Renata Agostini, O Estado de S. Paulo

05 Março 2018 | 05h00

Os fundos de pensão da Petrobrás (Petros) e do Banco do Brasil (Previ) enviaram à BRF no sábado a lista com os nomes dos executivos que serão indicados para compor o conselho de administração da companhia, dona das marcas Sadia e Perdigão. Os fundos, que possuem 22% da BRF, querem a realização de assembleia extraordinária para destituir o atual colegiado, que é comandado por Abilio Diniz.

Para o lugar do empresário, Previ e Petros querem Augusto Marques da Cruz Filho, ex-presidente do Pão de Açúcar, grupo fundado pelo pai de Abilio.

Atuais representantes dos fundos, o advogado Francisco Petros e o diretor do Banco do Brasil Walter Malieni foram mantidos na chapa. A família fundadora da Sadia, que tinha dois assentos, ficou com só um lugar, com a indicação do ex-ministro Luiz Fernando Furlan.

Na lista dos dez indicados, está Roberto Funari, vice-presidente da Reckitt Benckiser. Os fundos de pensão querem, desde o ano passado, trazê-lo para a companhia. Apoiavam seu nome para a presidência da BRF e ele ficou até a fase final da seleção para o posto, apurou o Estado com duas fontes a par do processo. Abilio, porém, conseguiu eleger José Aurélio Drummond para o comando da companhia – votação decidida pelo “voto de minerva” do empresário. 

Completam a lista de nomes para o novo conselho: Guilherme Afonso Ferreira, dono da gestora Teorema; José Luiz Osório, sócio da gestora JBI; Roberto Mendes, diretor financeiro da Localiza; Dan Ioschpe, presidente do conselho da Ioschpe-Maxion; e Vasco Dias Jr., ex-presidente da Raízen Energia.

De fora. Caso os fundos consigam eleger a chapa indicada, os aliados de Abilio deixarão o conselho da BRF – ficarão fora Flávia Almeida, que é sócia de Abilio na Península, e José Carlos Magalhães, sócio da Tarpon; e ainda Marcos Grasso e o próprio José Aurélio Drummond.

Para a Aberdeen, gestora britânica que tem 5% da BRF, a escolha de novos membros mostra o comprometimento de Petros e Previ com um conselho com postura independente. “Há consenso sobre os problemas de governança na BRF”, disse Peter Taylor, diretor-geral de equities da Aberdeen.

O movimento dos fundos para sacar Abilio e reformar o conselho ocorreu após a BRF anunciar prejuízo de R$ 1,1 bilhão em 2017 – a empresa vinha de prejuízo inédito em 2016, de quase R$ 400 milhões. 

Procurados, BRF, Tarpon e Abilio Diniz não comentaram

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