Fundos cambiais: atenção para o risco

A boa rentabilidade dos fundos cambiais, incrementada pela valorização do dólar em setembro, que chegou a bater R$ 1,86, não deve ser encarada com euforia pelos investidores. A aplicação continua sendo atraente apenas para quem tem dívidas corrigidas pela moeda estrangeira ou pretende viajar para o exterior. Isso porque, no longo prazo, a renda fixa sempre oferece um ganho melhor.Essa é a opinião da maioria dos administradores do mercado, que considera arriscado especular com esse tipo de produto por conta das oscilações do dólar. O gestor de Renda Fixa do ABN Amro, Eduardo Castro, afirma que é difícil convencer o investidor de que o produto não é apropriado quando se verifica um ganho tão bom, como no mês passado. De acordo com a prévia da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), enquanto os fundos cambiais tiveram um ganho nominal de 1,74%, os DI (pós-fixados) e os de renda fixa prefixados fecharam o mês com um ganho de 1,18% e 1,20%, respectivamente.Mas o investidor não deve analisar o fundo mês a mês, diz o diretor de Renda Fixa do BankBoston, Flávio Bojikian. Como o dólar oscila bastante, a carteira tanto pode apresentar ganho como perda. Isso, para o aplicador que tem dívida em moeda americana, não é motivo de aflição, pois o objetivo é seguir a variação do câmbio. Já para o investidor que entra no fundo para ter rentabilidade diferenciada, o risco é o de perder a oportunidade de ganhar o que outras aplicações oferecem. No ano, por exemplo, os fundos de renda fixa acumulam 12,88% diante de 10,14% dos cambiais. Além disso, a especulação exige conhecimento para entrar e sair do fundo no momento certo, diz Norival Wedekin, responsável pelos fundos de Renda Fixa do Deutsche Bank. PCobrança do IR prejudica rentabilidadeAté mesmo os investidores que têm dívida em dólar precisam ter cautela ao optar por um fundo cambial. Segundo o diretor da Sankt Gallen Investimentos, Gaspar Gasparian, a tributação pode comprometer o principal objetivo desse tipo de carteira, que é o de oferecer proteção ao investidor com relação à variação do dólar. Isso porque o Imposto de Renda não é cobrado somente sobre os juros, mas também sobre o ganho com uma eventual desvalorização do real, com alíquota de 20%. O cálculo é feito sobre o valor em reais.Um investidor que aplicasse hoje R$ 185 mil, equivalentes a US$ 100 mil, e passasse por uma desvalorização de 100% do real só resgataria US$ 90 mil. O IR seria de R$ 37 mil, e o ganho em reais seria de R$ 185 mil. Descontando o imposto, o investidor teria R$ 333 mil, ou seja, US$ 90 mil (R$ 333 mil dividido pelo dólar valorizado de R$ 3,70). Nessa situação, o aplicador com dívida em dólar estaria perdendo dinheiro.

Agencia Estado,

09 de outubro de 2000 | 17h18

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