Fundos cambiais e dólar: veja os riscos

Para o economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi, investir em dólar ou em fundos cambiais é recomendado apenas para quem tem dívidas em moeda norte-americana. "Como forma de diversificação, os fundos de renda fixa prefixados e os fundos de ações são os mais indicados", avalia.Em 2002, Rabi acredita que a taxa de câmbio média deve oscilar entre R$ 2,65 e R$ 2,70, o que abre um espaço de ganho em relação aos patamares atuais. Ontem, por exemplo, o dólar comercial fechou o dia cotado a R$ 2,5220, o que resultaria em um ganho nominal em torno de 1,88%. Mas, a aposta é muito arriscada, já que a expectativa é de oscilações significativas no período, o que poderá provocar perdas para o investidor.Para o estrategista do Deutsche Bank, José Cunha, qualquer projeção para o dólar neste momento de incertezas traz uma possibilidade de erro muito grande, pois esta variação depende de cenários imponderáveis, como a ampliação dos conflitos na Ásia Central e a possibilidade de novos atentados terroristas aos Estados Unidos.Segundo ele, diante destas incertezas, o investidor que tem dívidas em dólar ou pretende viajar ao exterior deve necessariamente ter aplicações em dólar ou em fundos cambiais, como forma de proteção contra novas altas da moeda norte-americana. "Quem precisa de hedge (segurança) deve estar posicionado em dólar, independentemente das cotações", afirma.O chefe da mesa de câmbio do ING Barings, Alexandre Vasarhelyi, também recomenda fundos cambiais e dólares como proteção para quem tem dívidas em dólar. Como diversificação da carteira de investimentos, ele acredita que aplicações em moeda norte-americana podem ser usadas, mas aliadas a outras formas de investimento. Isso porque, caso o dólar recue e o rendimento fique negativo, este resultado poderá ser compensado por possíveis ganhos em outras formas de aplicação, como ações e juros prefixados. "Apesar da possibilidade de alta do dólar no próximo ano, o que poderia trazer ganhos para o investidor, o risco de oscilações é muito forte, o que torna o investimento extremamente arriscado", avalia o economista-chefe do ABN Amro Asset Management, Hugo Penteado. A instituição projeta a cotação do dólar em R$ 2,65 no final deste ano e R$ 2,70 no final de 2002.

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