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Fundos cambiais mantêm captação de recursos

Com o recuo do dólar, as cotas dos fundos cambiais começam a ficar negativas, ou seja, apresentam desvalorização. Como a carteira destes fundos é formada, em grande parte, por títulos do governo que rendem a variação cambial e mais uma taxa de juros, a queda nas cotações da moeda norte-americana prejudicou o desempenho dos fundos cambiais.De acordo com dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) referentes ao dia 21, os fundos cambiais registraram queda de 0,55% na valorização diária. Em relação ao fluxo, houve captação. A entrada foi de R$ 40,24 milhões, mesmo com o anúncio do presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, de que a instituição operará de forma mais agressiva no mercado de câmbio, com o objetivo de conter a escalada do dólar. No dia anterior, quando ainda não havia este sinal, a captação diária dos fundos cambiais foi de R$ 41,52 milhões. Um exemplo de fundo cambial que já reflete em sua rentabilidade a queda do dólar é o ABN Amro FIF Currency. No dia 21, a valorização era negativa em 0,31%. Já no dia 22, o recuo diário foi de 3,54%. De acordo com Mailson Hykavei, diretor da mesa de operações da ABN Amro Asset Management, apesar da rentabilidade negativa, os investidores não estão sacando recursos. "Pelo contrário, o patrimônio de todos os fundos cambiais da instituição era de R$ 28 milhões. No primeiro dia de queda das cotações, os fundos registraram captação de R$ 14 milhões, o que significa que o patrimônio apresentou aumento de 50% em apenas um dia. Normalmente, a captação diária ficava em torno de R$ 1 milhão", explica o diretor. Hykavei acredita que o grande volume de captação é resultado de aplicações de investidores que aguardavam uma queda nas cotações para assumir posições de hedge, ou seja, de segurança contra novas altas da moeda norte-americana.No Citibank, a área de gestão de recursos de clientes pessoa física também verificou captação líquida nas carteiras dos fundos cambiais. No Citi Câmbio, que tem patrimônio de R$ 66,5 milhões, a entrada de recursos desde o dia 21 foi de R$ 600 mil. Já o Citi Hedge, cujo patrimônio é de R$ 122,2 milhões, a captação líquida no período foi de R$ 1,6 milhão. Para Julius Buchenrode, diretor de produtos de investimento do Citibank Consumer, o investidor percebeu que o dólar pode chegar facilmente ao patamar de R$ 2,50, caso a instabilidade volte a dominar o mercado. "Quem precisa de proteção contra a alta do dólar investe neste fundos, esteja no patamar que estiver", analisa o diretor.Sudameris, Santander e Boston têm poucos resgatesJá o Sudameris registrou saída de apenas R$ 1 milhão na carteira de seu fundo cambial, o Sudameris Cambial, desde o dia 21, segundo verificou o responsável de gestão de recursos da instituição, José Antonio Prescinotti. O patrimônio total do fundo é de R$ 95 milhões. Em relação à rentabilidade, a cota vem se desvalorizando a partir do recuo das cotações da moeda norte-americana. Ontem, a queda foi de 2,77%.No Santander Asset Management, o saldo da carteira do fundo cambial ficou praticamente estável depois da queda do dólar. "O patrimônio do fundo soma R$ 200 milhões. Depois de quinta-feira, o total dos resgates foi de R$ 10 milhões", afirma o diretor de gestão da instituição, Régis Abreu. Ontem, a cota diária do fundo apresentou rentabilidade negativa de 2,54%. Também na BankBoston Asset Management (BAM), a rentabilidade do fundo cambial foi negativa. No dia 22, um dia após o anúncio do BC, a cota do fundo apresentou desvalorização de 2,07%. Em relação ao fluxo, houve saída de recursos. De acordo com Flávio Bojikian, diretor de renda fixa da BAM, nos dias 21, 22 e 25 de julho, os saques na carteira do Boston Cambial somaram R$ 15 milhões. O patrimônio do fundo é de R$ 240 milhões. "Antes do recuo do dólar, a carteira registrava captação diária em torno de R$ 4 milhões", afirma. Dólar pode voltar a subir, segundo analistasMuitos analistas acreditam que fatos novos negativos em relação ao impacto da crise de energia na economia brasileira, à crise argentina e ao processo eleitoral de 2002 podem gerar nova instabilidade no mercado de câmbio. Além disso, a queda dos investimentos diretos neste ano, além do saldo deficitário da balança comercial, provocam uma escassez de dólares no mercado, o que contribui para a pressão de alta das cotações (veja mais informações no link abaixo). Segundo analistas, resta saber até quando o BC terá condições de sustentar a oferta de moeda norte-americana aos investidores a cada pressão de alta sobre as cotações. Sem parâmetro de avaliação para as cotações do dólar neste momento de instabilidade, o estrategista do Deutsche Bank, José Cunha, considera que apenas os investidores que têm dívidas em dólar ou viajarão para o exterior devem investir em ativos atrelados à moeda norte-americana. "Os investidores podem até ganhar neste mercado, pois existe grande possibilidade de que as cotações voltem a subir. Porém, o risco é muito alto", analisa.Bojikian recomenda aos investidores que precisam de hedge, ou seja, de dólares como forma de proteção contra uma nova alta, que apliquem em fundos cambiais ou comprem dólares independentemente das cotações. "A qualquer cotação da moeda norte-americana, o investidor que tem dívidas em dólar precisa proteger-se", explica o diretor. Para quem já está em fundos cambiais e tem este objetivo, a recomendação é manter a aplicação.

Agencia Estado,

26 de junho de 2001 | 16h22

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