Fundos cambiais: veja os riscos da carteira

No mês de novembro, a alta do dólar impulsionou o rendimento dos fundos cambiais. A rentabilidade média dos fundos cambiais ficou em 3,47%, de acordo com dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Porém, o ganho de alguns fundos ficou muito acima desse patamar e outros bem abaixo, devido à composição da carteira. Para se ter uma idéia, um dos fundos cambiais com pior desempenho no mês passado apresentou rendimento mensal de 1,19%, enquanto um dos melhores acumulou ganho de 12,65%.O resultado mais expressivo foi alcançado pelo fundo FIF Pactual Real Alavancado. De acordo com Marcelo Mesquita, gestor da carteira, trata-se de um fundo planejado para investidores que têm dívida em dólares, mas que não possuem todo o dinheiro necessário para ser protegido. Ou seja, a aplicação atende o objetivo de um investidor que tem R$ 10 mil, mas precisa incorporar ao seu investimento proteção sobre R$ 20 mil.Na composição da carteira, Mesquita explica que todo o patrimônio do fundo fica aplicado em dólar futuro. "Nesse caso, não há transação com o patrimônio da carteira. Apenas negocia-se a oscilação de preços do dólar no futuro. Isso quer dizer que o investidor incorpora a rentabilidade em caso de alta do dólar, ou tem a porcentagem de baixa descontada do total do investimento em um cenário de queda do ativo". Vale lembrar que, como o fundo aplica mais do que o patrimônio, também o ganho ou a perda será proporcional à porcentagem de alavancagem do fundo.Mesquita cita um exemplo: um investidor com R$ 5 mil nesse fundo tem 200% do seu patrimônio alocado em dólar futuro. Ou seja, caso o dólar apresente uma valorização de 5%, o investidor vai receber um rendimento de 10% sobre os R$ 5 mil. Ao contrário, se o dólar cair 5%, o investidor vai perder 10%, que será descontado dos R$ 5 mil.Fundos cambiais tradicionaisUm dos produtos cambiais que apresentou rentabilidade próxima à valorização do dólar no mês de novembro foi o Boston Cambial - de 3,77%. De acordo com Flávio Bojikian, diretor de renda fixa da BankBoston Asset Management, a carteira desse fundo é formada por papéis vinculados à variação cambial mais uma taxa de juros proporcional ao risco do papel. Bojikian explica que quanto mais longo o prazo do título cambial, maior a taxa de juros, pois o risco do ativo também é maior."No fundo cambial do Boston o prazo dos papéis é de, no máximo, um mês. Para esses ativos, a rentabilidade gira em torno de 5% ao ano mais a variação cambial", afirma Bojikian. Para se ter uma idéia, nos papéis com prazo de cinco anos, a taxa de juros anual paga acima da oscilação do dólar é de 12%.Bojikian explica que em momentos de instabilidade como o atual, compor a carteira de um fundo cambial com papéis de longo prazo é mais arriscado, já que esses ativos perdem valor devido ao risco que oferecem. O executivo alerta que, mesmo que o fundo tenha uma administração ativa, ou seja, o gestor possa mudar a composição da carteira de acordo com o cenário econômico, trocando papéis de longo prazo por papéis de prazo mais curto, o risco de queda de rentabilidade é grande. Isso porque, no momento de negociar esses títulos com outros investidores, a taxa de juros paga no papel cai, devido ao aumento do risco.

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