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Fundos captam R$ 205,7 bi até setembro e renda fixa perde espaço

De janeiro a setembro os fundos de renda fixa representaram 41,5% do total, ante uma fatia de 44% registrada no fim do ano passado

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2019 | 18h23

A captação líquida dos fundos de investimento no Brasil, em geral, até setembro, soma R$ 205,7 bilhões, quase quatro vezes a mais do que a entrada líquida no mesmo período do ano passado, segundo Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). Considerando apenas a entrada de recursos no terceiro trimestre, o montante chega a R$ 63,5 bilhões, puxada pela captação dos multimercados, com R$ 31,8 bilhões. Em seguida, vêm os fundos de ações, com entrada de R$ 22,9 bilhões.

De janeiro a agosto, as pessoas físicas representaram R$ 70 bilhões do montante total, que foi de R$ 177,6 bilhões. Os investidores institucionais entraram com R$ 37,7 bilhões.

Com o desempenho do Ibovespa, a melhor rentabilidade no período ficou com os fundos de ações ativos, com 24,1% no período. O Ibovespa subiu 19,2% no mesmo intervalo. Na sequência estão os fundos de ações da classificação livre, com 23,5%.

O patrimônio líquido dos fundos no fim de setembro estava em R$ 5,3 trilhões, aumento de 13,2% na comparação com o observado em dezembro do ano passado. O número de fundos da indústria ficou em 18.314, alta de 2,4%, na mesma relação. O número de contas, por sua vez, cresceu 10% para 17,2 milhões.

Renda fixa perde espaço

Já para os fundos de renda fixa, a situação têm mudado. Eles estão perdendo espaço na indústria de fundos no Brasil, diante da queda de juros no País. De janeiro a setembro esses fundos representaram 41,5% do total, ante uma fatia de 44% registrada no fim do ano passado. No fim de 2016 essa parcela era de 48%, segundo balanço da Anbima.

No sentido oposto, os fundos de ações subiram de 6,6% do total no fim do ano passado, para 7,8% em setembro deste ano. Um pequeno aumento também foi registrado na participação dos fundos multimercados, passando de 21,1% para 21,6%.

No acumulado do ano a captação líquida dos fundos multimercados chegou a R$ 56 bilhões, o de ações R$ 47,7 bilhões e os fundos de direitos creditórios, R$ 48,4 bilhões. Os fundos de renda fixa registraram entrada líquida de R$ 13,1 bilhões no período.

Um destaque neste ano foi a entrada de recursos para os fundos de índices (ETFs, na sigla em inglês), produto que tem aumentado a presença na prateleira de bancos e corretoras. A captação líquida chegou em R$ 7,4 bilhões, sendo que no mesmo período do ano passado foi de R$ 500 milhões.

 "Ainda tem muito espaço para crescer, ainda não tem penetração grande, mas já tem uma captação importante", destaca o vice-presidente da Anbima, Carlos André.

Títulos privados

Outro ponto interessante nos dados divulgados pela Anbima é que a participação dos títulos privados na carteira dos fundos de investimento está crescendo e chegou em 10% em setembro último, ante 8,7% no fim do ano passado. A fatia das ações subiu de 10,3% para 11,9%, também na esteira da queda de juros no País. No fim do mês passado o patrimônio líquido da indústria de fundos no Brasil chegou em R$ 5,3 trilhões, aumento de 13,2% em relação ao visto no fim de dezembro de 2018.

Por outro lado, a participação dos títulos públicos federal caiu de 49,6% no ano passado para 48,6% neste ano, ainda de acordo com associação.

A fatia nos fundos dos títulos bancários, tais como os CDBs, passou de 8,3% para 8%, Já as operações compromissadas representaram 11,9%.

Tendências

A tendência até o fim do ano, segundo a Anbima, é que a entrada de recursos na indústria de fundos cresça no movimento dos investidores em busca de mais rentabilidade por conta do cenário de baixas taxas de juros, disse, nesta sexta-feira, em teleconferência, o vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carlos André. Segundo ele, os investidores entendem ainda que haverá cortes adicionais, o que deve seguir direcionando os recursos para os fundos, em especial os de ações e multimercados.

O executivo citou que a tendência é ainda de maior participação das pessoas físicas e citou o próprio esforço da associação em se comunicar com os investidores finais.

Ajuste

O vice-presidente da Anbima, Carlos André, disse que os preços dos títulos privados começaram a se ajustar, depois de um momento em que a demanda, muito elevada, puxou para baixo a remuneração desses papéis. "Acho que já tivemos uma acomodação", comentou.

Segundo ele, com a taxa nominal baixa há uma mudança na estrutura das operações, na qual a remuneração é feita em CDI mais um spread. A tendência, comenta, é que com a manutenção de juros baixos o mercado caminhe para prover uma remuneração a taxas pré-fixadas.

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