Fundos compram mina de ferro em Minas Gerais por US$ 250 milhões

A Ferrous, que reúne fundos da Inglaterra, EUA e Austrália, leva a Viga, em mais um lance da corrida por mineradoras

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

29 Setembro 2007 | 00h00

A temporada de aquisições na região do quadrilátero ferrífero, em Minas Gerais - que concentra enormes reservas minerais - foi retomada esta semana. A Ferrous Resources do Brasil, empresa capitaneada por fundos de investimentos dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Austrália, fechou a compra da Viga Mineração, uma mina com reservas de 500 milhões de toneladas, localizada em Congonhas (MG), município ao sul de Belo Horizonte. É o primeiro negócio fechado na região depois da crise dos mercados financeiros e que afetaram o ritmo de aquisições.O valor do negócio não foi divulgado, mas a reportagem do Estado apurou que o valor ficou próximo a US$ 250 milhões. Esta é a segunda compra da Ferrous no Brasil. A primeira foi a aquisição da Mineração Esperança, mina com reservas estimadas de 200 milhões de toneladas, também em Minas Gerais, considerada pequena pelos mineradores.A demanda mundial por minério de ferro tem tirado projetos considerados pequenos e pouco competitivos do papel. Além da Ferrous, outros grupos como a MMX, a London Mining e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) já fizeram aquisições na região em busca de novos ativos em minério de ferro.Segundo Iraci Parreiras, ex-dono da Mineração Esperança e agora membro do Conselho de Administração da Ferrous, os fundos que financiam a empresa pretendem investir no Brasil mais US$ 250 milhões nos próximos cinco anos e viabilizar a produção de até 20 milhões de toneladas de minério por ano para exportação.O primeiro projeto da Mina Esperança deve começar em 2010. "O plano é produzir 8 milhões de toneladas de minério por ano", diz Parreiras. Na Viga Mineração, o projeto é maior: produção de 12 milhões de toneladas de minério a partir de 2012. A empresa ainda quer disputar outras reservas minerais na região do quadrilátero.Uma fonte ligada às empresas disse que a meta da Ferrous é se tornar a maior mineradora independente da região. Hoje, a J. Mendes é a principal mineradora independente do quadrilátero, mas, segundo rumores, foi posta à venda. Gigantes como BHP Billiton, Vale do Rio Doce e MMX estariam interessadas. A BHP teria feito oferta de US$ 600 milhões.CORRIDAA CSN era uma das interessadas na Viga Mineração. A localização da mina era estrategicamente importante para os planos de aproveitamento da mina Casa de Pedra, localizada em Congonhas e vizinha a área da Viga. "Não há como a CSN fazer o aproveitamento total de Casa de Pedra sem a Viga", diz uma fonte.Os fundos financiadores da Ferrous correm para aproveitar o mais longo período de prosperidade do setor de mineração e siderurgia desde a década de 70. Como nos últimos quatro anos, a perspectiva do mercado é de nova alta no preço do minério de ferro, o que dará ainda mais folga para os investidores em relação à rentabilidade de projetos. O superciclo da mineração trará ao Brasil investimentos de US$ 28 bilhões nos próximos quatro anos. A atividade mineral já representa cerca de 5% do Produto Interno Bruto. O PIB do setor é de US$ 53 bilhões por ano. Só a produção de ferro representa 0,84% do PIB, com US$ 9 bilhões. Era de 0,25% em 2004.O setor mineral é hoje responsável por boa parte do saldo comercial brasileiro. Em 2006, o Brasil exportou em minério US$ 17,2 bilhões a mais do que importou. Segundo a MB Associados, em 2007, o saldo dos setores de mineração, metalurgia e siderurgia pode chegar a US$ 18,2 bilhões. A expansão do setor ajudou a Vale a crescer. Hoje seu valor de mercado é 3,4 vezes maior que em 2004.

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