Fundos de ações acumulam prejuízo

O desempenho anual dos fundos de ações voltou ao vermelho, após as perdas registradas nas duas primeiras semanas de outubro. Segundo acompanhamento feito pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) para a Agência Estado, os produtos acumulam este ano, contado até o último dia 17, uma desvalorização de 2,11%,. O resultado reverteu a tendência que se sustentava desde meados de junho. Somente este mês, tais fundos recuaram 5,24%. A rentabilidade é medida pelos índices AE/Ibmec, que reúnem os 20 maiores fundos mútuos de investimento em ações e fundos carteira livre na categoria ações, tomando como base o patrimônio líquido. A pesquisa mostra que, até agora, o pior resultado dos fundos de ações ocorreu no dia 22 de maio, quando a baixa anual atingiu 14,5%. Com a virada dos números, a melhor marca em 2000 foi registrada em 4 de setembro: valorização de 11,7%. As performances distintas revelam uma amplitude de 26%, em um intervalo inferior a quatro meses. "Isso dá uma idéia do risco desse tipo de investimento no curto prazo", comentou Antonio Zoratto Sanvicente, professor do Ibmec e coordenador do trabalho. A análise do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) mostra resultados próximos. Até o momento, o maior patamar do Ibovespa este ano aconteceu no dia 27 de março, quando o fechamento chegou a 18.951 pontos. O menor pontuação foi de 13.587, registrada em 23 de maio, indicando uma amplitude de 28,3%. Sanvicente explicou que o percentual da Bolsa é um pouco maior do que o dos fundos em virtude da presença de títulos de renda fixa nas carteiras administradas. A medida reduz a exposição às variações de preço das ações.Analistas dizem que fundos seguem momento do mercadoNa opinião de Jorge Simino, diretor de renda variável da Unibanco Asset Management (UAM), a oscilação dos fundos é um espelho do momento que vive o mercado. Segundo ele, bons fundamentos internos são necessários, mas têm se mostrado insuficientes para sustentar o mercado. Os mercados estão tendo que digerir, de uma vez, o aquecimento da economia norte-americana acima do esperado e a tensão no Oriente Médio, que afeta o preço mundial do petróleo. O gestor de renda variável do Banco Safra, Valmir Celestino, afirmou que o nível de instabilidade torna ainda mais difícil qualquer previsão de melhora no comportamento da Bolsa, que registra queda de 9,47% apenas este mês. No ano, a baixa acumulada é de 15,63%. Ele lembrou, no entanto, do que reza a cartilha do mercado: se possível, o investidor não deve deixar a Bolsa em momentos de baixa, sobretudo se estiver no prejuízo.

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