Fundos de ações: maior captação de novembro

No mês de novembro, as carteiras com maior presença de ações foram os que registraram o maior ingresso de recursos, entre os fundos de investimento. Segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), os fundos de ações registraram uma entrada de R$ 294,14 milhões até o dia 30 de novembro. No acumulado do ano, o ingresso neste segmento foi de R$ 380,44 milhões.De acordo com pesquisa de Nívea Vargas, os fundos prefixados, DI e cambiais apresentaram quase o mesmo volume de captação no mês de novembro. A entrada de recursos nos fundos de renda fixa prefixados foi de R$ 137,36 milhões. Nos fundos cambiais, o ingresso foi de R$ 135,09 milhões. Por último, ficaram os fundos DI, com um ingresso de R$ 132,96 milhões. No caso dos fundos de renda fixa (prefixados e DI), os resultados ficaram bem abaixo do que o registrado em outubro, quando a entrada de recursos nos prefixados foi de R$ 629,04 milhões. Nos fundos DI, a captação em outubro foi de R$ 858,78 milhões. Ações baratas atraem investidorNa visão do administrador de carteira sênior do Deutsche Bank, Alexandre Vaçarhelye, a maior captação registrada pelos fundos de ações pode ser explicada pela atratividade dos preços das ações. "O investidor quer aproveitar o atual nível de preço das ações, que estão baratas", diz. Ele lembra que na última quinta-feira, o preço médio das ações na bolsa paulista atingiram o seu ponto mínimo no ano.Os preços das ações caíram muito este ano por conta do cenário internacional - possibilidade de um forte desaquecimento da economia dos EUA, crise econômica na Argentina e o elevado preço do petróleo no mercado internacional. Em períodos de maior risco, é comum os preços dos ativos financeiros mais sensíveis caírem. Esta queda, por outro lado, implica que os ganhos potenciais podem ficar maiores. Quem está comprando ações ou fundos de ações, neste momento, está apostando que os ganhos potenciais serão atrativos.Investidor em processo de aprendizagemDe acordo com o administrador de investimentos de renda variável do ABN Amro Bank, Alexandre Póvoa, "nesse últimos três meses em que a Bolsa sofreu, houve uma evolução no aprendizado e as pessoas estão sabendo como lidar com os fatores de risco que levam à oscilação na valorização dos investimentos". Ele lembra que a preferência do investidor brasileiro sempre foi pelos fundos de renda fixa, que oferecem um retorno mais seguro. Porém, segundo o executivo, "neste ano, houve uma migração de recursos para o multiportifólio - carteira que comporta papéis de renda fixa e renda variável - , e até mesmo, para o fundo de ações", caracterizando um novo comportamento por parte dos investidores brasileiros. Ele destaca que o investimento em ações deve ser de longo prazo. "As pessoas não devem mudar seus investimentos a qualquer sinalização do mercado".

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