Fundos de ações: queda de 3,03% em março

Dados da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid) revelam que, em março, os fundos de ações registraram uma queda de 3,03%, até o dia 20. O resultado negativo reflete um período de forte baixa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), de 9,16% até sexta-feira passada. A Bovespa está sendo prejudicada pelas perdas nas bolsas em Nova York e instabilidade no cenário externo, com problemas econômicos na Argentina e incertezas em relação ao ritmo do desaquecimento da economia norte-americana. A situação na Argentina tem forte impacto sobre os mercados no Brasil, pois são duas economias emergentes, situadas na mesma região e com relevante relacionamento comercial. Nesse momento de incertezas, o investidor prefere retirar recursos de ativos de risco, como a Bovespa, e migrá-los para aplicações mais seguras, como a moeda norte-americana ou títulos de renda fixa. Por isso um certo pânico bateu na Bovespa na última quinta, quando no pior momento do dia chegou a cair 7,34%, fechando com perdas de 5,27%. Também a forte queda da Nasdaq - bolsa dos Estados Unidos que negocia ações de tecnologia e Internet - e do índice Dow Jones - que mede a valorização das ações de empresas mais negociadas na bolsa de Nova York - provoca pessimismo no mercado acionário brasileiro. No acumulado do ano, até sexta-feira, as quedas são de 21,93% e 11,88%, respectivamente.RecomendaçãoApesar do desempenho desfavorável, analistas recomendam o investimento em ações para investidores que podem deixar o dinheiro investido durante um período mais longo, ou até que se consiga a rentabilidade desejada. "O investidor que tem tolerância ao risco e pode ficar com o dinheiro investido por, pelo menos, dois anos deve continuar apostando em ações", declara Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management.No mercado acionário, são muitos os papéis com preço abaixo do que de fato valem. Mas é preciso estar atento ao segmento de atuação da empresa da qual se está comprando o papel e quais são as perspectivas, tanto para o setor como para as empresas. Entre as recomendadas, analistas apontam as ações de bancos como uma boa opção de investimento. "Os papéis de instituições financeiras não têm grande espaço de valorização. Porém, têm chances menores de queda, já que tanto em um cenário de queda de juros quanto de alta os bancos têm seus lucros garantidos", avalia Ziegelmann.Entre os papéis desse setor, ele indica as ações preferenciais do Itaú, com preço-alvo de R$ 220, o que indica uma possibilidade de ganho de 32,53% em doze meses; e as ordinárias do Bradesco , com preço-alvo de R$ 15,60 e perspectiva de rentabilidade de 67,74% no mesmo período. Sylvio Bittencourt Rocha, diretor da corretora de Valores do HSBC Investment Bank, não está muito otimista quanto à uma recuperação da Bolsa no curto prazo. "A melhora vai depender, principalmente, de um cenário mais positivo no país vizinho", explica. Para investidores que querem tentar um ganho maior, aceitando um risco mais alto, Rocha recomenda ações de empresas do setor de telecomunicações."São papéis que têm grande perspectiva de valorização. Isso porque foram muito prejudicados pelo desempenho desfavorável da Nasdaq, apesar das empresas do setor manterem as perspectivas de crescimento", explica Rocha. Ele recomenda as ações preferenciais da Telemar, com preço-alvo de R$ 65,30 e perspectiva de valorização de 80,38% no mesmo período. Fundos de açõesOutra recomendação de analistas: investidores que não têm o hábito de investir em ações e não têm condições de acompanhar o desempenho de empresas podem direcionar seus recursos para fundos de ações. Nesse caso é o administrador do fundo quem faz a escolha dos papéis para a composição da carteira. Em troca, o investidor paga uma taxa de administração, que pode pesar bastante contra o investimento. Por isso é sempre bom lembrar de também fazer uma pesquisa entre os administradores para conciliar uma taxa menor com um nível de confiança adequado.

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