Fundos de ações têm 7º mês de captação negativa

Os fundos de ações fecharam o sétimo mês consecutivo com captação líquida negativa, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). As carteiras ensaiaram uma recuperação em agosto, mas no último dia útil do mês o resultado voltou ao vermelho.O histórico da Anbid mostra que o saldo dos fundos de ações apontava superávit de R$ 19,6 milhões em agosto, até o dia 29. O movimento no dia 30, porém, determinou uma saída acumulada de R$ 23,4 milhões no período. O resultado, no entanto, recuou 86% frente ao déficit do mês anterior, pois um volume representativo de recursos ingressou no mercado. "Com os preços deprimidos e a melhora no cenário internacional, o saldo dos fundos de ações chegou a estar positivo em R$ 100 milhões por volta de 20 de agosto", lembrou Roseli Machado, diretora de gestão da Fator Administradora de Recursos.Para Valmir Celestino, gestor de renda variável do Banco Safra, alguns investidores aproveitaram-se de uma "janela de otimismo" no mês passado para apostar nos fundos de ações. Ele observou que a Bolsa de Valores encerrou julho com quedas expressivas e, no mês seguinte, o acordo para um crédito de US$ 30,4 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FM) ao Brasil e a menor volatilidade do dólar encorajaram algumas apostas no mercado acionário.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) terminou agosto com alta de 6,3%. Roseli Machado, diretora de gestão da Fator Administradora de Recursos, disse que houve também uma queda na pressão vendedora de capital estrangeiro.Para gestores, aposta foi acertadaO desempenho da Bovespa em setembro tem mostrado uma perda acumulada de 6,4% na primeira semana de pregão, mas os especialistas consideram que o ingresso nos fundos em agosto foi acertado. "Para quem tiver paciência, foi um ótimo negócio", afirmou Valmir Celestino. Segundo ele, os preços no mercado já foram muito descontados, mesmo considerando o cenário político. "A Bolsa medida em dólares está muito barata." A diretora de gestão da Fator Administradora de Recursos, Roseli Machado, também acredita que agosto foi um momento correto para a aposta nos fundos de ações, tendo em vista o horizonte a partir de 2003, mas alertou que poderá haver ainda muita oscilação no curto prazo.Na opinião de Marcos Zaidan, gestor de renda variável do ABN Amro, um dos fatores mais importantes para que haja uma recuperação dos investimentos em ações é a queda na taxa básica de juros. Ele acredita que, se a oscilação cambial diminuir, há espaço para o governo tomar essa decisão. Na última reunião para tratar do assunto, o Comitê de Política Econômica (Copom) já acenou com essa possibilidade.

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